Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Raymond Leblanc, 1915-2008

Posted by atrida em Sábado, Março 29, 2008

lombard_journal-tintin-coul.jpgFaleceu no passado dia 20, com 92 anos de idade, Raymond Leblanc, o fundador da revista Tintin. Discreto, não baptizou com o seu nome nenhuma das editoras que criou (ao contrário dos seus confrades Dupuis, Dargaud e Casterman), indo buscar o nome das Éditions Lombard ao nome da rua onde estavam sediadas.

O seu papel e o da revista Tintin no desenvolvimento da banda desenhada belga é de primeira ordem. Antes de mais, Leblanc obteve o acordo do então proscrito (estamos em1946) Hergé para utilizar o nome do herói como nome da revista. Tendo sido resistente, Leblanc era a pessoa indicada para “recuperar” Hergé, injustamente atacado por suposto colaboracionismo por ter continuado a publicar trabalhos no Le Soir durante a ocupação alemã.

O primeiro número da revista tem já colaboradores de peso: Hergé, claro (com “O Templo do Sol”), mas também Paul Cuvelier (com as magníficas aventuras de Corentin) e Edgar P. Jacobs (com “O Segredo do Espadão”). A tiragem inicial foi de… 60.000 exemplares! Aposta arriscada mas claramente ganha: nos anos 60 a tiragem era dez vezes superior.

Leblanc teve a visão de internacionalizar a revista, editada em outros países, como Portugal (onde teve um sucesso extraordinário durante quase quinze anos). E, claro, a difusão dos álbuns assegurou a perenidade dos principais personagens e criações divulgados pela revista. A queda, lenta, desta nos vários países onde era editada foi um reflexo não tanto da descida da sua qualidade como da predominância da televisão e do cinema (e, hoje, dos jogos vídeo) no imaginário infanto-juvenil.

Apesar disso, a banda desenhada (nova e antiga) continua a vender-se largamente em França, Bélgica e outros países, prova de que a visão e o rasgo de Leblanc e seus émulos (na verdade, as revistas Tintin e Spirou emularam-se mutuamente) livraram a nona arte da lei da morte.

Aproveitando este momento triste, há que recordar a magnífica edição da obra “Le Journal Tintin: Les Coulisses d’Une Aventure” (2006), das Éditions Moulinsart, que conta a história da revista criada por Raymond Leblanc. O livro, profusamente ilustrado, tem ainda uma pérola: a edição fac-símile do número 1 da revista.

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Uma resposta to “Raymond Leblanc, 1915-2008”

  1. Obrigado pela indicação, Caro Atrida. Sou fan incondicional do Tintin, na confirmação de que a leitura das suas aventuras interessa aos jovens de oito a oitenta anos! E que o Amigo não deixe de escrever sobre a obra e a pessoa de Hergé. Um abraço.

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