Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

A Bélgica, entre a implosão e a invasão

Posted by atrida em Sábado, Maio 24, 2008

Não é necessário estar especialmente atento quando de passagem pela Bélgica para se perceber como o Reino vive tempos difícies.

Em primeiro lugar, as relações entre as comunidades flamenga e francófona estão extremadas, pelo menos ao nível político, e não se vê solução à vista. Uma série de propostas do lado flamengo pôs os cabelos em pé aos valões. Uma delas – a imposição de que se saiba falar flamengo para poder ter acesso à habitação social em território da Flandres – foi a gota de água, levando alguns políticos a remeter a questão para instituições europeias. O extremar de posições chegou a cúmulos inimagináveis: há quem, do lado francófono, defenda a construção de um corredor que permita aceder a Bruxelas pela Valónia, com a argumentação de que a capital «está em zona inimiga; deve-se poder acedê-la quando a Flandres for independente»! Como diz o ministro-presidente Kris Peeters, «como em Berlim e o seu corredor aéreo?».

Outra questão “societal”, como hoje se diz, é a da imigração. A Bélgica tem uma comunidade marroquina numerosa e basta circular pelas ruas de Bruxelas para o notarmos sem esforço. Desde o condutor de táxis educado e atencioso, falando bem francês e inglês, aos grupos que circulam na rua, ruidosos, passando pelos restaurantes kebab, são várias as marcas da comunidade norte-africana. Que, como é de calcular, não é toda pacífica. Duas notícias da actualidade provam-no: a alta tensão vivida no fim de semana passado entre adeptos do Anderlecht, que se acabava de sagrar vencedor da Taça da Bélgica em futebol, e um bando de marroquinos, que só graças à intervenção da polícia não destruiu um bar onde aqueles se costumam reunir. Mais trágica é a notícia que nos fala do assassinato de duas meninas belgas, sendo o suspeito (os indícios são fortíssimos) um tal Abdallah Ait Oud.

E também é notícia o aumento dos casamentos que visam apenas atribuir a nacionalidade belga a um imigrante (muitas vezes clandestino). Já belgas de gema são vários vagabundos que vegetam pelas ruas de Bruxelas, pedindo uma moedita a quem passa. A cidade, aliás, embora mantenha a sua atracção arquitectónica (toda a zona em que se insere a Grand Place é magnífica), parece desleixada, com sujidade muito pouco centro-europeia nas ruas.

Também decepciona o horário dos museus e das livrarias (encerram em geral às 18 horas, excepto às sextas-feiras), impraticável para quem por lá passa em trabalho. Ao menos a cerveja belga continua magnífica, bem como uma boa parte das representantes do belo sexo…

De regresso ao hotel, passagem pelo entrincheirado quartel-general da NATO, símbolo de uma Europa que há muito deixou de ser livre e independente, sujeita que tem sido a diversas invasões e ocupações.

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