Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Alexander Solzhenitsyn (1918-2008)

Posted by atrida em Segunda-feira, Agosto 4, 2008

Faleceu, aos 89 anos, o homem que melhor denunciou o sistema concentracionário soviético, que se manteve muito para além de Estaline. Tendo vivido por dentro o horror do gulag, Solzhenitsyn mostrou a força da (sua) literatura na denúncia dos horrores do comunismo, voluntariamente suavizados ou mesmo negados por gerações de intelectuais ocidentais aburguesados.

Exilado no Ocidente, Solzhenitsyn não se revelou um propagandista do mundo que o acolheu, antes denunciando o vácuo espiritual e o materialismo do “mundo livre”. Após a queda do comunismo, os seus constantes apelos a um regresso ao melhor da Tradição e ao um ressurgir espiritual do mundo foram acolhidos com desdém pelos fazedores de opinião e novos escravizadores das massas (não era Estaline que dizia que a cultura era a engenharia das almas?), mostrando que, se o sistema político comunista se desmoronou, os seus tiques totalitários e a sua vontade de controlar as mentes estão mais fortes do que nunca no campo que o combateu.

Solzhenitsyn viveu e morreu em mundos nos quais não se reconheceu, que combateu pela pena e que o desprezaram. Parece ser esse o destino dos homens livres.

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Uma resposta to “Alexander Solzhenitsyn (1918-2008)”

  1. Maria said

    Nas palavras que proferiu pùblicamente e nas que escreveu nos seus livros, Solzhenitsyn traduziu o enorme sofrimento do seu povo e da sua Rússia amada. E diz bem, os seus apelos foram tratados com desdém pelos cínicos do chamado mundo livre, tal como ele já o havia sido no seu próprio País. E isso ele não esperava e feriu-o profundamente. Mas afinal esse é o tratamento que recebem todos aqueles que são essencialmente puros e bons e escrevem com verdade o que lhes vai na alma. Como Solzhenitsyn foi e fez. Tal como disse uma vez o bailarino Barishnikov, a alma russa é sensível, é única, é indefinível. Solzhenitsyn era o exacto retrato dela.Tenho a certeza que para o seu povo ele é um herói nacional. Atrever-me-ia a acrescentar que o é também para o mundo.

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