Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Entre Aveiro e a Figueira da Foz

Posted by atrida em Terça-feira, Agosto 19, 2008

Entre Aveiro e a Figueira da Foz pode-se passar umas férias bem agradáveis. Boas praias, surpreendentemente algumas com águas a uma temperatura bem simpática – medalha de ouro para a da Tocha, onde estanciei numa tarde agradável até às 20 horas, algo que é difícil de fazer em Portugal fora do Algarve -, uma multiplicidade de terras com história e arquitectura a descobrir, gastronomia apelativa: não faltam motivos para renunciar a uma ida ao cálido Algarve.

Aveiro é sempre um local a que gosto de voltar: cidade com história, bela com os seus canais, um bom museu e até um tesouro escondido: a Capela das Carmelitas. Há sempre um bom restaurante de peixe à nossa espera e num pulo ruma-se à Barra ou à Costa Nova, com as suas típicas casas pintadas com riscas verticais. Para os mais dados a modernices e/ou ao desporto, uma visita ao novo estádio municipal (uma das “belas” heranças financeiras do guterrismo) não desiludirá.

Se o visitante se internar pelo concelho de Ílhavo terá o grato prazer de visitar a simpática Vista Alegre, famosa pela fábrica que produz autênticas obras de arte para todo o mundo; o complexo da Vista Alegre (fábrica) compreende capela (na foto), museu, loja, teatro e habitações para o operariado. O acesso à vila por norte propicia o simpático atravessamento de uma ponte de madeira.

A Praia de Mira (povoação costeira que dista meia dúzia de quilómetros da sede do concelho de Mira), a exemplo de muitas outras, é hoje sobretudo um destino turístico e menos uma terra de pescadores. A homenagem a estes, tal como em outras localidades vizinhas, está patente em estátuas inspiradas, que evocam a gesta da luta pela vida entre vagas ameaçadoras e o pavor dos familiares em terra. Raul Brandão vem à memória, mas também Leitão de Barros com o seu “Ala Arriba” (curiosamente o nome do clube de futebol local) ou o mais esquecido Pedro Ivo, que nas notáveis páginas do conto “O Embarcadiço” nos traz, com sabor a maresia, histórias de velhos e novos unidos pelo destino comum do mar.

Fugindo do bulício da praia o turista pode internar-se na mata próxima, onde pode passear sossegadamente, andar de bicicleta e atravessar mais uma ponte de madeira, mas esta coberta (uma das poucas do país). Mais para interior pode-se visitar Cantanhede ou a Mealhada, quiçá Coimbra. Preferi rumar a sul, descobrir Quiaios e descer pela Serra da Boa Viagem até Buarcos, povoação ligada à Figueira da Foz.

Um pouco por todo o lado o francês é falar quase omnipresente, herança de um país constantemente a procurar a salvação ou uma vida melhor lá fora e desesperadamente sonhando com o regresso ao torrão natal. Ficam os “retraités”, muitos em casas grotescas que nada têm a ver com Portugal, enquanto os filhos retornam para o país que sentem ser o seu.

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4 Respostas to “Entre Aveiro e a Figueira da Foz”

  1. bloqueid said

    Saludos desde Chile!

    14

  2. Aqui na minha terra e nem avisou.

  3. atrida said

    Bem me lembrei de si, meu caro, mas não tenho o seu telemóvel. E retornei a 12, dois dias antes do jantar.

  4. Fica já aqui para futuras visitas 961488375

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