Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Qual é o teu clube?

Posted by atrida em Quarta-feira, Setembro 17, 2008

No filme “Weekend” (1967), do esquerdista Jean-Luc Godard – obra que prenuncia fortemente Maio de 68-, uma senhora pergunta ao personagem interpretado por Jean Yanne: “E você, prefere ser f***do por Nixon ou por Mao?”. As diatribes actuais na blogosfera (e não só) sobre o conflito na Geórgia parecem configurar uma mesma situação: ” a que clube é que pertences, ao dos EUA ou ao da Rússia?”.

Conhecendo-se as ambições imperialistas permanentes dos dois grandes países, é caso para dizer que nesta disputa “clubística” as pessoas discutem sob que imperialismo é que preferem vegetar. Vegetar enquanto Nação, vegetar enquanto homens livres.

Se nos anos 60 um dos lemas dos nacionalistas franceses (e adoptado por nacionalistas de outros países) era “nem monopólios nem sovietes”, hoje parece que já todos se resignaram a escolher entre dois males, entre dois impérios, sob a ilusão de que o que escolhem é o que assegura a liberdade e um modo de vida (clube EUA) ou a resistência à globalização e ao império americano (clube Rússia), sem se aperceberem que parecem escravos a tentar escolher o senhor sob o qual se vão albergar.

Isto diz muito sobre o nível de reflexão nos nossos tempos, seja em que ambiente político nos situemos. No início da Guerra dos Balcãs, Le Pen e o Front National manifestaram-se ruidosamente a favor da Croácia contra a agressora Sérvia. Passados uns anos já defendiam a Sérvia (que não havia mudado a sua política externa um milímetro), sob pretexto de luta contra o islamismo e a influência americana na região; já não se tratava de um regime nacional-comunista, era antes uma vítima da Nova Ordem Mundial e um exemplo de resistência.

A URSS que invadiu o Afeganistão, que matou (já bem dentro da perestroika) independentistas lituanos, foi condenada; a Rússia – país cujos serviços secretos mandam pelos ares blocos de apartamentos num subúrbio moscovita e logo invade a Chechénia a pretexto de guerra contra o terrrorismo – é muito diferente dos EUA que, a pretexto de atentados com origem muito mal explicada, invadem o Afeganistão (já é sina) e o Iraque?

Há quem ache que sim. Lenine chamar-lhes-ia “idiotas úteis”. Pois, também há nacionalistas que admiram a intransigência israelita, modelo de “estado étnico” a replicar na Europa… Enquanto puxam para um ou outro lado não enxergam que fazem um jogo que de modo algum é o da sua liberdade.

Trágico.

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10 Respostas to “Qual é o teu clube?”

  1. Já muitas vezes o disse: não existe nacionalismo português actualmente, esse morreu algures em meados dos anos 80 e não vai ressuscitar, a nova geração é germanófila, franco-sionista, estadunidófila, europeista ou eurasista.

    Digo-lhe que em 15 anos de militância nacionalista (perda de tempo, nem imaginam o quanto me arrependo) não me recordo de conhecer um (um só) nacionalista português autêntico.

    Pela minha parte não me preocupo, o nacionalismo em Portugal morreu e o cadáver fedorento anda por aí só para assustar algum comunista mais mal informado e enganar algum jovem que nele cai ao engano.

    Dito isto… em Novembro vou estar num evento com 3 dirigentes da Juventude da Eurásia… embora fosse escusado revelar tal coisa, o Atrida sabe perfeitamente por que imperialismo alinho (ou vou alinhando) 🙂

    Abraços,

    Flávio Gonçalves

  2. O Corcunda said

    Boa malha!!!

    Grande abraço

  3. O meu clube é o Belenenses!

    Descendo das verdades sobrenaturais para as coisas mais mundanas, diria que estamos na presença de um belo texto, com o raciocínio claro que aliás se esperava de uma pena como a do Atrida. É certo que eu não não concordo com tudo – talvez nem concorde com metade… -, mas trata-se de um muito interessante “colocar o dedo na ferida”.
    Pegando no exemplo do FN: revejo-me a 100% no percurso. Também eu “fui croata” desde a primeira hora, tal era a evidência da justiça daquela causa. Sucede que o mundo muda – e muda todos os dias ao contrário do que jurava o Fukuyama a dado passo. Ora, mudando, mudam com ele a oportunidade de slogans como o “nem capitalismo, nem comunismo: tercira posição!”…

    E nesse quadro, a partir de certa altura a “causa sérvia” é seguramente a mais interessante de entre quantas se podem opôr, mesmo que sem sucesso e ainda que temporariamente, à nova ordem da “pax americana”. Que querias, meu caro, que fizesse Le Pen? Que aplaudisse a mãos ambas a barbárie dos ataques à bomba sobre Belgrado levados a cabo por uma das maiores coligações de malfeitores que a história recente recordará?

    A questão russa são outros quinhentos, que ficarão para outro dia. Mas não há relações internacionais sem alinhamentos, sejam esses de convicção ou de conveniência. É a lógica de funcionamento dos diferentes actores no quadro do sistema. Se os alinhamentos não existissem, poderiamos estar aqui a falar de qualquer outra coisa mas de relações internacionais é que não era seguramente.

    Abraço.

  4. “á muitas vezes o disse: não existe nacionalismo português actualmente, esse morreu algures em meados dos anos 80 e não vai ressuscitar, a nova geração é germanófila, franco-sionista, estadunidófila, europeista ou eurasista.”

    Curiosamente eu tenho-me na conta de ser nacionalista (e português, ) e não me revejo em nenhuma das cinco correntes indicadas… 😉

  5. Optio said

    Como dizia o outro – Viver é comprometer-se – com tudo que isso possa acarretar.
    O mundo é composto de mudança…
    Depois há aqueles que se orgulham de ser fiéis a si próprios mesmo que isso signifique uma total confusão, inconstância…enfim previsibilidade anárquica – provavelmente aquela previsibilidade que diz que quando se juntam dois nacionalistas…
    Nacionalismo – ainda há bem pouco tempo ouvi uma discussão em casa de um amigo, e diga-se entre amigos, sobre essa coisa do nacionalismo (português). A dada altura alguém disse sabiamente (por acaso um estrangeiro) – Não vale a pena continuar a discutir, os vossos nacionalismos não são os mesmos, ideologicamente quase que diria que estão em campos opostos!!!

    Não te esqueças do tintol (ora aí está uma coisa vem portuguesa!)
    😉

  6. Carlos Portugal said

    Brilhante postal! Muito bem observado. Parabéns!

  7. Caro Pedro, eu referi a “nova geração”, o Pedro ainda apanhou uma réstia dos anos 80.

    O que me ocorre estar mais próximo dum nacionalismo português (com Pascoaes, Pimenta, Rolão e Pessoa e sem Hess, Mussolini, Hitler ou Himmler) serão os MIL e IDP…

  8. Anónimo said

    From: noticias@portugalnoticias.com
    To: ;
    Subject: Paneleiros
    Date: Fri, 19 Sep 2008 09:43:37 -0300
    ESTÁ O “BAILE ARMADO”
    CASAMENTOS HOMOSSEXUAIS CRIA ROTURA NO PS

    Manuel Abrantes
    Segundo publica o “Diário de Notícias” a direcção nacional do PS receia que possa haver uma rebelião no grupo parlamentar socialista quando da discussão do projecto do Bloco de Esquerda para legalizar o casamento entre homossexuais. O DN sabe que as indicações vieram do secretariado e que a direcção do grupo parlamentar impôs ontem o voto contra do PS no próximo dia 10. Mas a reunião de ontem da bancada foi um prenúncio de que a matéria não é nada pacífica. No dia 10, a rebelião poderá estender-se a cerca de 30 deputados.

    Ontem, um grupo de pouco mais de uma dezena de deputados, liderados por Paulo Pedroso, pediu a palavra para dizer que a liberdade de voto nestas matérias é uma exigência. O antigo braço-direito de Ferro Rodrigues, que regressou esta semana ao Parlamento, lembrou que existe uma Declaração de Princípios do PS, aprovada no congresso de 2002. O deputado disse ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contra a obrigatoriedade do voto contra falaram vários deputados da JS (entre os quais o ex-líder Pedro Nuno Santos) e ainda Maria de Belém, Miguel Coelho (líder do PS/Lisboa), Vasco Franco, Ventura Leite, Marcos Sá e Ricardo Gonçalves. Este último resume o espírito, em declarações ao DN: “Este é um problema de consciência de cada um, tem a ver com o que cada um pensa sobre a matéria. Eu até posso ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e achar que não é a altura de seguir o projecto do BE. Mas não prescindo da liberdade de voto”. Ao fim da tarde, também José Eduardo Vera Jardim, antigo ministro da Justiça, veio reconhecer a necessidade de haver liberdade de voto. Contra a ideia falou Alberto Martins, líder parlamentar, e o porta-voz do PS, Vitalino Canas, que se resguardaram na ideia de que não existe um mandato para discutir a matéria que não consta do programa de Governo.
    E NÃO HÁ LOBBY GAY…

    Tal como afirmei na peça anterior ainda acredito que, como se aproximam actos eleitorais, os socialistas optem pela não aprovação dos casamentos homossexuais.Não é por acaso que os comunas apresentaram os seus projectos nesta altura. Sabiam que deixavam os socialistas entre a espada e a parede.Porque, se o calendário eleitoral não estivesse tão próximo, seriam os socialistas a apresentarem os tais projectos. Aliás, Sócrates já afirmou que essa discussão “ainda não era oportuna”. Assim, os comunas adiantaram-se na corrida.Se não houver reviravolta política nas próximas Legislativas podem contar com a aberração dos casamentos de homens com homens e de mulheres com mulheres.
    Este será um facto.
    Esta reviravolta apressada para aprovação e discussão do tema não foi por acaso. Se por um lado os comunas quiseram-se adiantar aos socialistas e, simultaneamente, encosta-los à parede, por outro, estão com medo dos resultados que possam advir das próximas legislativas.
    Tudo aponta para que o tempo do “quer, posso e mando” dos socialistas está a chegar ao fim. Claro que o lobby gay está atento a isto e não perdeu tempo a elaborar estratégias. E, nada melhor do que os bloquistas para as porem em prática. Os bloquistas e o apêndice pcista “os verdes”.
    .
    E, já agora:
    – Será que foi por acaso a reentrada de Paulo Pedroso na Assembleia nesta altura do campeonato ?
    Isto, sem esquecer que este tema atira para segundo plano outro dos temas quentes : o dos divórcios a pedido. E isto interessa – e muito – ao PS.
    São tudo coincidências ?
    Será….
    Manuel Abrantes

  9. H.A. said

    Caros,

    não se trata de estar de lado do império russo, trata-se de estimular um contra-poder à merda amerdicaniode e judia que nos ocupa à 33 (a nós) e 63 ( o resto da europa) e anda a tentar destruir de vez.

    Quanto ao nacionalismo, ele existe sem dúvida, mas não em mentes de idiotas como os que aqui deixam comentário. Ou então o melhor é ninguém fazer nada pois está tudo já “morto” à partida? Minho-timorenses e franco-merdas sionistas pro caralho, conscientemente ou inconscientemente são traidores.

    Não tarda muito vão aqui todos votar no be e defender o casamento e adoção por rabetas?

    Perguntas: Quem fundou portugal? Quem o organizou e fez expandir? A que continente e estirpe pertence? Quais as origens da sua lingua e das suas tradiçoes?

  10. H.A. said

    Quanto aos germanicos, ainda são os que menos nos prejudicam, e é admirável a sua resistência, mas portugal não é nenhum satélite alemão. Há de facto quem, por ser menos branco os odeie! E os latinos? …

    Queremos o quê? Ser um povo de pretugueses?
    O que já fomos sabemos. Há é que escolher o que seremos!

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