Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Anti-FNAC

Posted by atrida em Terça-feira, Outubro 14, 2008

E lá abriu mais uma loja FNAC em Lisboa, desta vez no Centro Comercial Vasco da Gama. Mais uma réplica do supermercado cultural que é a empresa do Grupo Pinault, fundada por trotskistas (um deles antigo guarda-costas do ídolo do Chico Louçã) e hoje lídima representante do capital apátrida!

Lá se podem ver os livros do costume, a “Anne Frank contada às crianças”, o 25 de Abril em banda desenhada, os álbuns de homenagem ao Che-rial killer e n outros exemplos do esquerdismo plasmado em cultura para as massas. Um produto sofisticado, sucedâneo pós-moderno das épicas sessões de dinamização cultural do PREC.

Símbolo já não da aliança operária-camponesa mas da esquerda com o capital, é vasta a oferta de televisões e sistemas de som topo de gama, DVDs com as maiores piroseiras de Hollywood e o último sucesso da erva daninha ribatejana. Apesar da origem francesa e da oferta razoável de livros gauleses, escusa-se de lá se procurar obras de Maurras ou Drieu, que não se encontram; em contrapartida, não faltam títulos de autores menoríssimos mas que navegam na onda dos tempos.

Claro que também lá encontramos alguns quartetos de cordas de Brahms ou Bartok ou farta oferta do catálogo ECM. Mas isso não faltava – pelo contrário – nas duas Discoteca Roma que havia na capital, na Virgin Megastore ou nas várias  Valentim de Carvalho que encerraram. Pois é: os frogs chegaram a Portugal há uma década com um novo “conceito” (palavra que qualquer pós-moderno deve ter sempre na ponta da língua) de loja cultural. A concorrência era de peso – as lojas já citadas – e até os estudos de mercado encomendados pela FNAC desaconselhavam o investimento em Portugal.

Assim, toca de entrar a matar: promoções em barda, todo o catálogo Led Zeppelin a 1.400$00 (7€), livros 10% mais baratos e outros descontos apelativos. A concorrência abalou: a Virgin encerrou a sua magnífica loja no antigo Cinema Eden, as Roma estouraram e as Valentim seguiram-lhes o rumo. Chega entretanto o Corte Inglés, que, como armazém onde se vende um pouco de tudo, não constitui verdadeira ameaça para a FNAC.

Escorraçados os incómodos concorrentes eis que de golpe rareiam as promoções, acaba-se o pomposo “preço mínimo garantido” e se expõe sem pudor preços escandalosos, autênticos assaltos à mão armada. Mas agora já não há grande alternativa, a não ser a internet.

A FNAC em Portugal – e certamente em outros países – constituiu um dos mais lamentáveis exemplos de depredação da concorrência e da liberdade de escolha dos consumidores. Perdeu-se mais um pouco de pluralidade e variedade de escolha, ganhou-se uns bons milhões em contas bancárias de gente sem escrúpulos e sem vergonha.

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10 Respostas to “Anti-FNAC”

  1. Diogo said

    É a FNAC, é o Jumbo, é o Continente, é o Pingo Doce, é a Wal-Mart em todo o lado.

    A propósito, já se sabe porque é que os nazis transferiram a Anne Frank de Aushwitz para Bergen Belsen?

  2. Maria said

    Não fazia a menor ideia da origem desta Loja ou deste Grupo. Agora percebo porque não encontro certos títulos à venda, ou se excepcionalmente os descubro nos escaparates em determinada semana (certamente lá colocados por engano) , na seguinte, quando vou tentar comprá-los, verifico que desapareceram como fumo. Para não dizer poucos dias depois… Quando pergunto por eles a resposta que invariàvelmente recebo é: “está esgotado e a editora não os vai re-editar” ou, “não sabemos nada desse livro, não consta da nossa listagem do computador” ou, “é melhor encomendar directamente do país onde foi editado, nós não recebemos livros desse autor”…
    Na Bertrand já me aconteceu o mesmo mas em muito menor escala. Espero que esta livraria não entre no mesmo rol.

    Mais logo ou amanhã, tenciono deixar-lhe um comentário relativo aos seus 4 anos de Blog (mas não só), de que só tomei conhecimento há poucos dias, na caixa respectiva. Está começado desde aí, mas não tenho tido oportunidade de o acabar.

  3. Miguel Vaz said

    Não sei se é FNAC se é FARC.
    Já agora, parabéns pelos 4 anos!

  4. gdr said

    Não se encontra Maurras nem Burke. Nada. Um dia perguntei a um assistente de loja se tinham alguma coisa desses autores e vi-me obrigado a soletrar os nomes vezes sem conta. Como o tipo era visivelmente incompetente e viciado em alguma erva (já repararem bem no tipo de gente que a FNAC emprega?!), acabei por ter de escrever eu mesmo os nomes no computador de pesquisa… Do outro mundo!

  5. atrida said

    Diogo: claro que sim mas a FNAC é que se arvora em promotor da kultura, os outros assumem-se como os merceeiros de larga escala que são.
    Maria: criticam os “obscurantistas” que queimavam livros; eles, como são “civilizados, apenas os escondem…
    Miguel: LOL. E obrigado.
    Gazeta: essa é impagável. Realmente a fauna que eles empregam dá um ar mais “cool” e “alternativo” ao tasco…

  6. Optio said

    Mas lá se vai encontrando alguns filmes “fascistas”. Será que vão ter o Tropa de Elitxe para breve? A preço vermelho ou cor-de-rosa? 🙂

  7. DB said

    Grande postal! Posso sugerir um título alternativo: “Do trotskismo ao capitalismo, porque o que interessa é o mundialismo”.

    Autores alternativos? Politicamente incorrectos? Esses estão no index!

    Um abraço

  8. atrida said

    Optio: não reparei mas a banda sonora está à venda por 17€, preço de traficante… 😉
    DB: nem mais, por alguma razão ex(?)-comunistas mudam de campo desde que ao novo campo esteja subjacente o espírito anti-nacional. Se calhar são mais coerentes do que parece.

  9. DB said

    Totalmente coerentes, já que o objectivo é o mesmo. Não é por acaso que, por exemplo, os neo-cons são ex(?)-trotskistas.

  10. Euro-Ultramarino said

    Meu Caro Amigo,
    Nos meus tempos parisienses frequentei a Fnac – uma impressionante novidade – pela facilidade em adquirir entradas de teatro/exposições, para a compra de livros e cds, e para a revelação de filmes fotográficos. Nesta época acompanhava com entusiasmo a trajectória do Front National e de outras iniciativas nacionalistas. Quando verifiquei que a empresa atacava violentamente a direita nacional e promovia efusivamente tudo o que fosse esquerdalhada anti-francesa, deixei de lá ir. Lembro-me muito bem quando o negócio do bilionário trotskista Pinault, enquanto alertava para o perigo “nazi-fascista” e “racista” de Le Pen, editava com alarde mediático o “rap” de um bando de negros, degenerados e delinquentes que dá pelo sugestivo nome de “nic ta mère” (” f… a tua mãe”). Grande capital, grandes negócios, ideologias dissolventes, mundialismo, promoção de comportamentos contranatura, racismo anti-branco… é o que está a dar. Puro estilo George Soros – o principal fundraiser de Barak Hussein Obama.
    Um forte abraço.

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