Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Codreanu pela pena de Lucien Rebatet

Posted by atrida em Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Cumpriram-se no passado dia 30 de Novembro setenta anos sobre a morte de Codreanu, líder da Guarda de Ferro romena. Nove dias depois Lucien Rebatet publicava no “Je Suis Partout” um violento artigo, no qual denunciava o “judaísmo internacional” como culpado do crime. É um texto revelador da normalidade do antisemitismo na Europa de então (o antisemitismo de Codreanu é destacado no artigo no meio de outras “qualidades” ), quando os tambores da guerra que viria já se faziam ouvir. Também é um texto interessante por nos mostrar um Rebatet ainda não acamaradado com o nacional-socialismo, revelando uma costela maurrassiana de que escritos posteriores (com “Les Décombres” em grande destaque) já não dão nota. Não se deve esquecer igualmente o facto de a mulher de Rebatet, Véronique, ser romena.

A verve de Rebatet e o seu estilo não se coadunam especialmente com traduções mas preferi correr o risco a deixar por partilhar um texto revelador de um espírito e de uma época e que ajuda a compreender opções futuras do autor e de uma geração de intelectuais.

«É pelos seus heróis que um povo vive e não pelas suas maiorias cobardes e inertes. Para eles, pouco importa vencer ou morrer pois, quando morrem, o povo inteiro vive a sua morte e honra-os como mártires. Eles brilham na História como imagens a ouro, que o sol nas alturas alumia ao crepúsculo, enquanto que em baixo, nas planícies, por muito vastas e numerososas que sejam, se estende o véu do esquecimento e da morte.»

Cornelius Codreanu

Codreanu acaba de ser assassinado da forma mais bárbara e cobarde. Desde que temos conhecimento, por meio deste jornal, da sua vida e da sua obra por documentos directos e não por mentiras ou fábulas, que sabemos que ele pertencia, por muitos pontos comuns, à nossa família de pensamento. A sua assinatura apareceu nestas páginas no meio das nossas. Na Roménia dividida pelos partidos egoístas, sangrada e gangrenada pelos judeus, a nossa atenção e a nossa estima iam para este chefe ardente, íntegro, patriota, antisemita, tal como também ia para um Calvo Sotelo na Espanha de 1935.

Na execução nocturna de Codreanu e dos seus companheiros, ferozmente premeditada, grosseira e hipocritamente camuflada em tentativa de fuga (quem é que acredita que de catorze pessoas em fuga no meio das trevas, do nevoeiro e da floresta nem uma só tenha escapado, ao menos ferida, das balas dos guardas?), nesta execução tudo inspira horror, nojo e piedade. Sabemos há muito que os movimentos da “consciência humana”, como dizem os nossos inimigos, são sempre de sentido único, são apenas reservados a clãs, tal como os mais baixos favores politiqueiros. O massacre da estrada de Bucareste em nada comoveu as belas almas de direita e de esquerda que seriam perturbadas por apenas uma gota de sangue que jorrasse da orelha de Blum. Com a excepção de um artigo livre e generoso de Léon Daudet apenas nos apercebemos do suspiro de alívio mal dissimulado de Israel.

Constatamos neste drama a indiferença dos choramingas profissionais. Mas também não é nossa função substitui-los perante este túmulo. Codreanu havia declarado guerra à judiaria. Houvera medido mais de uma vez os riscos que corria. Desde 1924, quando estava preso, que o Capitão soube que a polícia pensava em suprimi-lo durante uma transferência de prisão, «sob o pretexto de tentativa de fuga à sua escolta» (pág. 225 do seu livro “Para os Legionários”).

 Morreu no seu posto de combate. Não se geme sobre o corpo de um soldado. Mas o que é atroz é o facto de Codreanu ter sido abatido por balas cristãs. De resto, isso não nos surpreende. É muito raro que os judeus sujem as mãos com o sangue dos gentios. Para que isso suceda têm que ser eles os tiranos, como na Rússia de 1918 ou na Hungria de 1919, situação em que o seu sadismo já não conhece limites. Mas a obra-prima da sua cobardia é fazer abater por sua conta o cristão pelo cristão. O rei Carol II traz consigo doravante a horrenda responsabilidade de ter sido o seu instrumento até ao assassinato.

**

Os homens da Guarda de Ferro tinham sido avisados, desde inícios de Novembro, que se estava a tramar o assassinato do seu chefe para o momento em que o seu soberano estivesse em viagem no estrangeiro. Apenas os ministros estariam ao corrente. Compreenderam-no e recuaram. O rei foi então forçado a dar ele próprio a ordem, com o seu polícia Calinesco a seu lado.

É singular o facto de o massacre ter seguido de forma incrivelmente rápida a viagem de Carol pelo Ocidente. Terá sido em Londres que a City judaica, bem informada sobre a popularidade bem enraizada da Guarda de Ferro, lhe pediu a cabeça de Codreanu? De qualquer forma seria de estranhar que não tenha obtido da Alemanha ao menos carta branca. Não é possível que se não tenha tratado da Guarda de Ferro durante as suas reuniões com Hitler e Goering.

Se estes últimos, na hipótese contrária, apelaram pela vida do Capitão, ganharam a sua causa em troca de liberdades comericiais e que Carol, assim que regressou a casa, agia contra a palavra dada, é porque se encontra no seu país face a uma oposição ainda mais profunda e generalizada do que supúnhamos.

Não nos cabe a nós julgar a política interna romena. Falamos aqui apenas na nossa qualidade de franceses.

Asseguraram-nos que a morte de Codreanu era para nós um negócio excelente, que a Guarda de Ferro era, no Danúbio, um ajudante do Terceiro Reich. Já dei nota, numa reportagem recente, da falsidade destas alegações.

Codreanu tinha anunciado perante várias testemunhas que pensava colocar no seu programa a participação da Roménia no Eixo Roma-Berlim. Isto foi em pleno Front populaire francês, no meio das intrigas russófilas, checófilas e genevesas de Delbos. Acrescento que Titulesco, especulando sobre a profunda amizade dos romenos pela França, anunciara anteriormente, em 1933, que a dissoluçã da Guarda tinha sido exigida por Paris.

Apesar de todas estas circunstâncias, no próprio estado-maior da Guarda de Ferro e entre os seus mais fiéis aliados políticos, censurou-se vivamente a Codreanu a sua atitude. A gratidão à França, criadora da pequena e depois da grande Roménia, a lembrança do selvagem tratado de Bucareste imposto pela Alemanha em 1918, ainda pesam  muito por aquelas bandas – bem mais que as nossas culpas. Tudo o que se tenha dito em contrário é uma gigantesca maquinação de judeus apostados em defender por todos os meios o domínio habitado por dois milhões dos seus que possuem da Transsilvânia ao Mar Negro.

O nosso interesse deveria ser que a Roménia participasse numa barreira sólida oposta a oriente à expansão germânica, que a Alemanha não monopolizasse os mercados comerciais e  não aumentasse ainda mais a sua força baseada nas suas riquezas.

Na verdade o rei Carol, aliado fiel segundo Buré e Kerillis, não tem deixado de apoiar as recriminações alemãs a propósito do plano da Polónia e da Hungria de estabelecer uma fronteira comum. Sob o seu governo a penetração comercial alemã é um dado adquirido. Tudo indica que a última viagem do rei a Berchtesgaden e a Berlim acelerará essa penetração. É evidente que para o Reich seria bem mais vantajoso estabelecer acordos com um soberano volátil e que joga três ou quatro cartas de cada vez que encorajar um partido resolutamente nacionalista que certamente não pensaria em libertar o seu país da potência judaica  – primeiro ponto do programa da Guarda de Ferro – para logo de seguida o vender ao estrangeiro.

Que crédito se pode conceder ao ditador-rei que privou do seu comando, aprisionou e colocou sob vigilância policial o melhor chefe militar romeno, um dos poucos que saíram da guerra engrandecidos, ainda por cima impecável francófilo, o general Antonesco?

A imprensa às ordens dos judeus, que fabrica a opinião das democracias, afirmava há meses que a Guarda de Ferro estava liquidada. Era possível.

Após uma longa investigação, estabeleci, em Outubro, a minha convicção de que isso não era verdade, que os codreanistas, apesar de todos os problemas, não cessavam de conquistar fortes simpatias. O assassinato da semana passada demonstra que não me equivoquei. Ninguém se dá ao trabalho de sufocar em sangue um partido que já não existe.

Não temos pela vida humana o mesmo fetichismo que a judiaria e alguns surpreendentes cristãos. Há mortes necessárias à salvação de um país. Mas se a Guarda matou isso só ocorreu após anos e anos de martírio imposto por ministros maçons. Ela nunca deixou de afirmar a sua fé religiosa e a sua fé monárquica. Ela apenas desejava o apoio real. Não o obteve – e aí reside a causa de toda a tragédia romena. A intriga de Israel triunfou.

Como todos os seus triunfos, também este é ilusório. A ditadura real concedeu favores sem conta aos judeus, tendo usado todo o rigor, incluindo o recurso ao crime, contra os cristãos. Um futuro bem próximo dir-nos-á certamente se é lícito que um rei se posicione, por motivos puramente pessoais, contra o que há de mais puro, de mais generoso e mais são no seu país, quando tinha todo o poder para conquistar a confiança desse ardor e dessa juventude.

A admirável frase de Codreanu, reproduzida no início deste artigo, define melhor que qualquer outra inscrição a nobreza deste chefe. Onde quer que tenha sido morto, na sua célula, em Moscovo ou na neve e na noite, terá visto certamente aproximar-se da sua face as pistolas dos esbirros com um coração sereno e cheio de esperança. Não acredito que o ideal nacional e cristão que ele semeou em toda uma geração da sua pátria possa ser aniquilado.

São para nós heróis os intrépidos rapazes que, apesar da prisão e dos fuzilamentos, ganham ainda mais furor contra os judeus e os seus servos.

Estamos convencidos que entre uma França e uma Roménia ambas igualmente nacionalistas e desenjudaízadas, a França que nós representamos e que nunca admitiria por um momento ter como embaixador em Bucareste um Thierry, casado com a judia Rotschild, e a Roménia representada pela Guarda de Ferro, a colaboração seria imediata e fecunda em todos os terrenos.

No meio de todo o ódio e mentiras que caem em catadupa sobre o cadáver de uma vítima do judaísmo universal, é nossa função e obrigação repeti-lo aqui.

Lucien Rebatet, 9 de Dezembro de 1938.

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3 Respostas to “Codreanu pela pena de Lucien Rebatet”

  1. NC said

    Muito obrigado pela excelente tradução do artigo. Continu o bom trabalho.

  2. Maria said

    Testemunho brilhante. Prova comovente de patriotismo, amor à Pátria e à Verdade. E de uma inexcedível admiração e orgulho, bem como de um genuíno amor fraternal de um amigo para com o seu Grande Amigo e Companheiro. Alguém que chora desesperadamente lágrimas de sangue pela perda de outro Alguém insubstituível e já Imortal.

  3. Legionário said

    A próxima tradução é exclusivamente para nós. Tipo Prenda de Natal. OK?

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