Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Uma nova era

Posted by atrida em Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Numa mostra de cinema chinês apresentada há coisa de década e meia na Cinemateca Portuguesa, era curioso ver como os filmes pós-1949 (data da chegada dos maoístas ao poder) representavam o antes e o pós-revolução. O período anterior a esta era representado em tons sombrios e as próprias câmaras filmavam de cima para baixo, criando uma sensação de opressão. O pós-1949 abundava em imagens radiosas, dias de sol e enquadramentos de baixo para cima, numa mostra de desafogamento, libertação – uma era nova, em suma.

Estas recordações um pouco longínquas vieram à minha mente por ocasião da cobertura despudorada que a mídia tem vindo a fazer da tomada de posse do novo presidente dos EUA. Tal como os cineastas chineses (e na era maoísta os argumentos das películas eram peneirados pela censura com terrível detalhe), os jornaleiros (vá-se lá chamar jornalistas aos paus mandados que tentam criar a opinião pública) querem-nos fazer crer numa nova era com Obama: fim da opressão bushiana, cooperação entre países, combate às alterações climáticas (um must), preocupação com os pobres e com a crise financeira (a milionária cerimónia de tomada de posse é um bom começo!), diálogo, diálogo, diálogo… Só falta afirmar que vamos ter Primavera todos os meses do ano…

Este fenómeno de marketing político-mediático chamado Barack Obama constitui uma das maiores burlas de uma época já de si notável pela impostura erigida em dogma. Sob o mote da “mudança”, repetido ad eternum por massas embevecidas e aparoladas, promove-se uma figura que poucos conhecem, de cujo ideário (a existir) não se sabe mais que dois ou três lugares comuns – que possivelmente até nem teria direito a ir a eleições, à luz da lei.

Vale tudo, até falar no primeiro presidente negro dos EUA quando o homem é mestiço, promovendo-se a eterna culpabilização do homem branco. Compreende-se a emoção dos negros americanos, mas Obama terá assim tantas mudanças na agenda? Ouve-se muita retórica sobre a crise no Médio Oriente mas que esperar de um candidato que teve o beneplácito da AIPAC, o maior lobby judaico dos EUA? Ouve-se muita retórica sobre a crise financeira mas que esperar de um candidato gordamente subsidiado pelas maiores empresas e instituições financeiras do país? Já não se ouve falar assim tanto sobre o projecto obamista de criar milícias de jovens activistas, presumivelmente à caça de inimigos da nova ordem mundial e da nova era que se configura no horizonte.

Mais um ponto de contacto – e de diálogo – com outra face da opressão moderna: Hugo Chavez. Os maus espíritos encontram-se onde menos se esperaria.

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2 Respostas to “Uma nova era”

  1. Eu acho que as coisas ainda vão piorar. Mas sempre que alguém ousar levantar a voz é logo acusado de racista. Quando o maior racismo é usar a cor da pela para encobrir as vilanagens que se vão seguir.

  2. Não estou a ver comparação possível com o nacionalista Hugo Chávez, deve ser daquelas diferenças que nos recordam que sou de Esquerda e o Atrida é de Direita, logo surgem alguns preconceitos (para mim o que é de Direita é mau e explorador, para o Atrida o mesmo vale para o que é de Esquerda).

    Enfim… negócios estrangeiros.

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