Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

O linguajar da pseudo-elite lisboeta

Posted by atrida em Sábado, Abril 4, 2009

No Brasil não há rebuço em inventar uma palavra quando ela falta, isso sabe-se. Ou adaptá-la de outras línguas, ou reinventá-la. Muitas das palavras que o português pouco avisado, ou distraído, ou esquecido, pensa serem novidade local, são simplesmente arcaísmos ou vocábulos portugueses que passaram de moda (sobretudo em Lisboa onde a despeito de se falar muito, fala-se mal). Nos Estados do Nordeste e do Norte do Brasil permanecem vivas e correntes, no dia-a-dia, palavras que levámos para lá e aqui não se usam há muito. Repito que sob este aspecto, Lisboa e, sobretudo, certos meios considerados mais evoluídos, são propositadamente paupérrimos do ponto de vista coloquial. Há palavras que não se empregam correntemente com o receio de se parecer pretencioso ou solene! No entanto, encontramo-las nos nossos clássicos e até em qualquer escritor contemporâneo que se preze. Que a linguagem literária não sirva para a naturalidade da conversa viva ou do diálogo filmado, isso é outra coisa que nada tem a ver com a asfixia vocabular do português falado na capital.

Luís Forjaz Trigueiros, “Um Jardim em Londres”, Guimarães Editores, 1987.

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2 Respostas to “O linguajar da pseudo-elite lisboeta”

  1. Esta uma das razões porque gosto de passar por aqui…

  2. fsantos said

    Cara Cristina, a sua visita é sempre uma honra para mim.

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