Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Livro de caras

Posted by atrida em Domingo, Julho 26, 2009

Entristece-me ver muitos confrades da blogosfera a diminuir drasticamente a actualização do seus blogues em prol de uma coisa chamada “Facebook”. Já fui convidado a aceder a essa “rede social”, anuí- e rapidamente arrepiei caminho. O espaço pode ser interessante para partilha de informações mas em nada substitui, sequer complementa, a blogosfera.

Mesmo abstraindo das mensagens ridículas tipo “fulano de tal quer ser seu amigo” (!), “quer mesmo deixar o Facebook? Sicrano vai ter saudades suas”, o espaço adequa-se bem à mentalidade portuguesa das quintinhas, das redes de amigos onde só entram os conhecidos, da troca de informações em estilo meio confidencial, da exposição das preferências e gostos de cada qual. Como se vê, tudo o oposto da blogosfera, onde ao sabor de uma pesquisa na rede se pode descobrir um espaço fascinante ou aceder a ideias, grupos de pessoas e informações de que se não fazia de todo ideia.

Mas cada um ocupa o seu tempo livre como muito bem lhe aprouver, é pena é em alguns casos a blogosfera perder fulgor por culpa do tal “Facebook”.

Perdemos todos.

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7 Respostas to “Livro de caras”

  1. Nonas said

    Tens toda a razão!

  2. Realmente, já tinha reparado que a blogosfera da “área nacional” tem vindo a esmorecer, mas nunca pensei que fosse devido a uma coisa tão inócua como o facebook.

    É pena que assim seja.

    Apenas ficam os mais resistentes!

  3. Creio que não se deve colocar a questão nesses termos. O problema não é, em rigor, o da “área nacional” se acantonar (ou não) na blogosfera; ou o de decidir avançar, rapidamente e em força, para plataformas internéticas com outra eficácia como o já mencionado “facebook” ou o não mencionado – mas não menos relevante – twitter (uma falha incrível da presença nacionalista na www). Não creio até que seja útil debater as virtudes de cada uma das “frentes”, porque nesse aspecto cada cabeça sua sentença; embora não deixe de ser relevante observar o que se passou nas últimas eleições norte-americanas em termos de conquista das massas. Ou, passando para o caso europeu, observar como se faz agora a vertente web das campanhas eleitorais do PP espanhol – um case-study assumido por 99% dos especialistas. E ver nomeadamente isto: http://www.popular.es – meditando no que o projecto (cheio de sucesso) pode indiciar.

    Mas adiante. O problema é mais, a meu ver, o da absoluta ausência de estratégia para a web daquilo a que se chama “área nacional”. E se assim é, é natural que tudo isto ande um pouco ao sabor do vento. A “área”, para lhe chamar alguma coisa, já teve uma presença blogosférica de significativo relevo, com uma visibilidade que em muito ultrapassava a da própria área. E isso até se consguiu durante muito tempo. Mas, sejamos realistas, só muito dificilmente seria possível manter esse nível com o passar dos anos. E porquê? Porque, como bem tem lembrado o Manuel Azinhal, as pessoas não têm a mesma disponibilidade pessoal ou profissional ao longo de 4, 5, 6 anos e… porque aqui não há grande “mercado”! O que se vinha aliás observando nas estatísticas de acessos, eventualmente conduzindo essa blogosfera nacional àquilo que no postal se aponta ao facebook: o falar em circuito fechado, para “os conhecidos”, tipo “troca de informações em estilo meio confidencial”. Mas o e-leitorado anda por outros lados…

    Acresce que o facto da maior parte dos blogues da “área” serem unipessoais constituiria mais tarde ou mais cedo, evidentemente, o seu enfraquecimento. Aqui aponto o que me parece ter sido um erro claro: a não evolução para espaço(s) colectivo(s).

    Há outro problema: é que se não há mercado, também é certo que não há muitos “quadros”. E isso dificulta as coisas, não podem ser meia dúzia de pessoas a assumir as despesas de todo o jogo… É como o Zé Pedro no nosso Belém: só há um e a gente precisava de mais dez… 😉

    Isto para concluir que se não temos grande acesso ao mercado e se não temos muita gente capaz de fazer em condições as várias tarefas, resta aplaudir toda e qualquer iniciativa que seja levada a cabo, individualmente ou por um partido, grupos ou associações, seja num blogue, no twitter, no facebook, em projectos editoriais, nos comentários dos jornais, etc. Se cada um de nós mantiver uma presença, independentemente da plataforma, pelo menos é um pequeno contributo para que não se apague a chama. E chegará por certo o dia em que estejam criadas condições para passos mais ambiciosos e abrangentes.

    Abr.

  4. Diogo said

    E resta saber se o Facebook não está a servir para construir uma base de dados dos internautas – com as fotografias, dados pessoais, etc.

  5. atrida said

    Pois é, Nonas, nós conhecemos alguns casos…
    Reaccionário, o fenómeno não explica todo o esmorecimento que constata, o cansaço também tem uma importante quota-parte.
    Pedro, a tua argumentação parte da preocupação em encontrar o maior número de plataformas viáveis para o combate político, quando a blogosfera é bem mais do que isso, tem uma componente cultural e uma capacidade de gerar discussões (às vezes profícuas, a maior parte das vezes nem tanto) que a tornam um meio indispensável – não redutível à luta política – de combate contra a censura hipócrita, o período de estupidificação em curso e de desmemoriação dos povos.
    Pois é, Diogo, também me parece que, tanto para objectivos comerciais (já há programas que identificam os gostos de cada utilizador na net e conseguem traçar um padrão de consumo, a partir do qual se direccionam campanhas publicitárias insidiosas) como, sinistramente, para controlo político e ideológico do uso que cada um faz da net.

  6. Tens razão quanto à base da minha argumentação. Sucede que se entendermos a coisa na vertente da “componente cultural”, “capacidade de gerar discussões” e do “combate contra a censura hipócrita, o período de estupidificação em curso e de desmemoriação dos povos”… o tal mercado ainda decresce mais. Conhecemo-nos todos! Fazemos um jantar por mês entre os dez que se interessam pelo assunto e está resolvido o problema através de uma tertúlia, ainda para mais agradável…

    Mas fazer “política” tem forçosamente que significar falar para fora, para aqueles que (ainda) não estão convencidos, para aqueles que nem sequer conhecemos!

    Em relação à questão do Diogo: não sei se o facebook “serve para isso” no sentido que lhe estamos aqui a dar. Mas pode obviamente servir, como serve desde logo o google ou mesmo qualquer outro serviço online que passe por um registo. Se pensarmos em termos meramente comerciais, serve com toda a certeza, posso garanti-lo. Mas até disso podemos nós tirar partido! 😉

  7. Pela minha parte tenho o Livro de Caras e o outro cuja utilidade me ultrapassa ligados ao blogger, ou seja são actualizados automaticamente com o que coloco no blogue.

    Pareceu-me essa a sua utilidade: promove-me o blogue.

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