Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Referendo contra os minaretes

Posted by atrida em Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Um grupo de cidadãos suíços reuniu as 100.000 assinaturas necessárias para levar a referendo popular uma proposta de interdição da construção de minaretes na federação helvética, conta-nos o Le Monde de 7 de Agosto (pág. 8), alegando que o minarete, mais que uma construção religiosa, é uma construção política, «símbolo de uma vontade de poder, de um Islão que pretende estabelecer uma ordem jurídica e social fundamentalmente contrária às liberdades garantidas na nossa constituição», nas palavras de Ulrich Schlüer, da UDC (partido que não apoiou formalmente o referendo, mas do qual são membros 14 dos 16 proponentes).

O artigo segue a linha habitual do “jornal de referência” do politicamente correcto francês: embora dando a palavra a quem vai contra a linha “tolerante” defendida pela intelligentsia, acaba por a reduzir ao ridículo e à anedota, com uma desonestidade intelectual gritante. Aqui ficam dois exemplos:

– o articulista fala do minarete da mesquita Mahmud, perto de Zurique, que se eleva a 15 metros; depois escreve esta pérola: «do outro lado da rua, o campanário da igreja tem o dobro da altura e faz soar galhardamente as seis horas». Repare-se na habilidade do jornalista: equipara construções religiosas de duas religiões, uma de muito recente implantação na Suíça e outra com séculos de tradição, como se ambas se devessem equivaler em direitos! E note-se também como se menciona “a mesquita Mahmud”, ao passo que “a igreja” não merece a honra de ser nomeada.

– conclui-se o artigo com os comentários “divertidos” (sic) de um investigador que salienta a ambiguidade do seu país, que faz referendos sobre minaretes e ao mesmo tempo procura atrair as grandes fortunas árabes. E como exemplo refere que os grandes hotéis estão a adaptar as suas ementas e os seus horários ao jejum do Ramadão de forma a “agradar aos emires de passagem”. O que esta comparação absurda mostra é que o jornalista de serviço não é capaz de dizer ao “investigador” que uma coisa são os sentimentos, os medos e a insegurança  sentidos pelo cidadão comum e outra os interesses económicos das grandes empresas, bancos e hotéis helvéticos, promovidos por elites que não sofrem no dia a dia os efeitos de um imigração cada vez mais agressiva e reivindicadora. Também não sofrem de problemas identitários pois o factor que define a sua identidade são os valores das suas contas bancárias.

E entre estes valores monetários e a ideologia mundialista de diluição das identidades ocidentais se vem forjando uma aliança cínica e extremamente eficaz, que faz crer a muita gente que só há uma ideologia aceitável e irreversível e que se resume à morte das nações em benefício de “um mundo sem fronteiras”. Fora deste ideário ficam os catalogados como racistas e xenófobos, “extremistas” irremediavelmente em dessintonia com a história.

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5 Respostas to “Referendo contra os minaretes”

  1. pvnamII said

    —> No último parágrafo foi dito uma verdade!

    —> Mas também existe uma outra verdade: a maioria dos europeus não são de confiança… de facto, a maioria dos europeus são herdeiros da daquela GRANDE TRADIÇÃO EUROPEIA: negociatas fáceis tipo -> exploração de escravos, roubo de territórios a povos indígenas, mão-de-obra servil imigrante ao preço da chuva, etc.

    —> No entanto, para além da GRANDE TRADIÇÃO EUROPEIA (vulgo negociatas-fáceis), existe UMA GRANDE TRADIÇÃO UNIVERSAL: a existência de povos autóctones no SEU espaço.
    —>>> Concluindo: antes que seja tarde demais, há que mobilizar, para o SEPARATISMO-50-50, aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para abraçar um projecto de Luta pela Sobrevivência.

  2. Euro-Ultramarino said

    Na mosca, Caro Amigo! Até a Suiça, que em algumas esferas já fez (e faz) questão de afirmar a sua autonomia, em outras claudica e sucumbe vergonhosamente. A imigração-invasão, com grande peso para a oriunda do terceiro mundo, já alterou – definitivamente – a paisagem étnica do país. Mas não foram importados apenas as pessoas… os hábitos e os problemas de outras terras menos felizes também o foram. Não há dúvida de que mãos cuidadosas (e golpes certeiros) estão a puxar os cordelinhos desnacionalizadores, mas é igualmente certo que uma sanha suicida apoderou-se dos povos. Um forte abraço.
    PS. Lembro que há alguns anos a cidade de Oslo já contava com uma colecção de minaretes. Quem diria que a gélida Noruega…

  3. […] Ler o resto. […]

  4. Diogo said

    Meu caro,

    Eu sou ateu. Donde, é-me tão indiferente uma igreja cristã com mil anos como uma mesquita com seis meses. Só lamento que ainda tanta gente se ajoelhe perante as religiões.

    Abraço

  5. Bom post.

    Vejam essa também:

    “Estado laico” se curva perante Islã

    http://liberdadedeexpressao.multiply.com/reviews/item/275

    Abs,
    Carlos

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