Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

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Comédia dos tempos do fim

Posted by atrida em Sexta-feira, Janeiro 28, 2011

Foi uma típica farsa republicana-abrilina.

Ganhou o candidato que foi o melhor aliado dos vende-pátrias, que desbaratou o tecido produtivo nacional, que engordou o sector público para melhor assegurar reeleições, que deu um impulso aos atentados à educação.

O grande derrotado foi o alegre Manuel de Argel, outro vende-pátrias, o poeta da traição, o socialista iconoclasta que nunca abdicou dos seus privilégios de deputado supostamente não-alinhado com a sua bancada.

Outro suposto não-alinhado, ex-mandatário do BE, portanto profundamente capacitado para evoluir neste podre regime, foi a “surpresa” – aquelas surpresas a que este pobre país vai tendo direito. Que saudades da “divina surpresa” de que falava Maurras…

Não podia faltar o candidato do PC, o partido internacionalista (entenda-se: subserviente de Moscovo) que, com o desmoronar da URSS, se descobriu uma “alternativa patriótica e de esquerda”. Adiante…

Outra “surpresa”, a boa votação do candidato que arvorou no parlamento “maderense” uma bandeira no mínimo iconoclasta – a contrario sensu, já se vê, que a iconoclastia neste regime é tudo menos isso mesmo!

Valerá a pena falar do candidato não oficial do partido no poder, partido esse  que teve que gramar um candidato oficial que não pretendia?…

Para apimentar ainda mais este indigestíssimo prato tivemos a comédia dos números do cartão de eleitor que desapareceram para os preclaros portugueses que, simplexamente, optaram por aderir ao cartão do cidadão – esse mesmo, o cidadão que em França se canta que devia pegar em armas… Mas não nestes democráticos tempos, que – voltando a Maurras – a república (em particular este regime) governa mal mas defende-se bem.

Há umas décadas atrás este cenário pareceria cataclísmico (expressão ontem utilizada pelo inefável Sarkozy ao evocar o que sucederia se o euro desaparecesse!), hoje, que nele estamos imersos, parece uma trágica piada de mau gosto.

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República

Posted by atrida em Segunda-feira, Janeiro 10, 2011

Os anos, as décadas, vão passando mas cada vez soam mais verdadeiras as palavras de Charles Maurras: “a república governa mal mas defende-se bem”. O espectáculo dado pelos candidatos à chefia de Estado deste pobre país só o confirma.

Até quando?

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Leituras recomendadas:

República – o espectáculo não pode parar

A Monarquia de pés de barro

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O cidadão

Posted by atrida em Quinta-feira, Julho 17, 2008

Talvez por (insensatamente) achar que Portugal tem salvação, nunca me refiro com desdém a “este país”, mencionando antes “este regime”. Mas também reconheço que isso é redutor, pois se um regime hediondo se vai mantendo deve-o seja à estupidez, seja ao conformismo, seja à desonestidade dos que habitam o país.

A revolução francesa criou o “cidadão”, figura abstracta plena de direitos teóricos e vítima da ditadura prática da democracia, que ostraciza todos os que a ela se opõem. Vítima também do desenraízamento, limpo que foi o seu passado histórico e reescrita a gesta dos seus antepassados, de modo a legitimar mais facilmente a república dos cidadãos.

Ao fim de gerações, os cidadãos estão inoculados mentalmente com o vírus da verdade oficial, apatetados pela lavagem cerebral permanente a que são sujeitos. E, em consequência, completamente incapazes de reagir a um regime hediondo – precisamente por que não o vêem como tal. Tal como Winston Smith, amam o Grande Irmão, “reconhecem” que a democracia é o menos mau dos regimes e seguem com a sua vidinha.

O cidadão é o escravo perfeito.

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