Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

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Posts Tagged ‘cinema’

A solidão na grande cidade

Posted by atrida em Quarta-feira, Maio 13, 2009

foto_multimidia_cena_07_grandeEstá em exibição o filme brasileiro Linha de Passe, de Walter Salles (realizador, entre outros, de Central do Brasil) e Daniela Thomas. Trata-se de um retrato desencantado da vida na grande cidade (11  milhões de habitantes, 19 se incluirmos toda a área metropolitana, onde se inserem as cidades de Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo, etc.). Retrato de uma família da classe D (média baixa, mais para o baixo), quatro irmãos e sua mãe; esta, empregada doméstica, sofre para manter a prole; um filho aspira a ser jogador de futebol, entrando em diversas selecções de jogadores; outro faz entregas em moto, tem um filho que mal conhece o pai e é a um tempo tentado por um negócio florescente na cidade: o roubo de objectos em viaturas paradas nos semáforos (em São Paulo pude constatar como a maior parte dos carros tem os vidros escuros, para evitar tentações do género); outro trabalha num posto de abastecimento e é membro de uma igreja evangélica; o mais novo tem o sonho de conduzir um autocarro, profissão do pai que não conhece.

Praticamente todo o filme é passado ou em zonas deprimidas ou nas principais vias da cidade, com o seu trânsito intenso. Não aparecem imagens das zonas nobres da cidade, das zonas “in” ou mesmo do centro histórico. A película é sensível com discrição, a emoção é genuína mas não forçada. E, sendo um filme brasileiro, todos os actores são excelentes.

Ao ver esta recomendável obra não pude deixar de me lembrar do clássico São Paulo, Sociedade Anônima (1965), de Luis Sérgio Person, considerado um dos dez melhores filmes brasileiros de sempre. É, realmente, um filme extraordinário, com uma fotografia a preto e branco belíssima e com actores de grande nível. A acção passa-se no período 1957-1961, exactamente durante o boom da indústria automobilística (e industrial, em geral) na grande São Paulo. (É, curiosamente, o período em que Adhemar de Barros foi prefeito da cidade. Conhecido pelas grandes obras que promoveu, criticado por eventuais casos de corrupção, antigo aliado do Presidente Vargas, Adhemar deixou uma marca na cidade; foi também governador do estado, período em que o interior do Estado de São Paulo foi finalmente alvo da atenção do poder, crescendo muito desde então.) O protagonista, Carlos, procura um rumo para a sua vida; tem três amantes sucessivas, uma fútil, outra uma intelectual atormentada e depressiva, e uma terceira típica burguesa sem grandes aspirações, com quem vem a casar. Junta-se a um empresário de poucos escrúpulos, de origem italiana (é delicioso o diálogo entre o italiano e sua filha quando, num passeio de carro, vão alternando canções, até que a menina pede ao pai para cantar “aquela que começa com «Giovinezza, Giovinezza”, ao que pai retorque que “já lhe disse que essa não é para cantar”) e a relação entre ambos é sempre pautada pelo incómodo que causam a Carlos os métodos do italiano (um exemplo: aquando de uma inspecção do trabalho o inspector descobre mais de uma dezena de trabalhadores ilegais escondidos numa casa de banho à espera que o inspector se fosse embora).Sao+Paulo+SA+03

É um filme marcado pela solidão que se pode sentir numa grande metrópole, fervilhando de actividade. Carlos vagueia pelas ruas à procura de um sentido para a sua vida, que nunca encontra. O ambiente geral do filme e várias cenas em particular lembram irresistivelmente a trilogia de Antonioni “A Aventura” / “A Noite” / “O Eclipse”.

Uma cidade – e dois filmes que representam o desespero e a estranheza do homem moderno num mundo frio e sem valores.

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Amália

Posted by atrida em Sábado, Janeiro 3, 2009

amaliaEstá em exibição há cerca de um mês o filme português “Amália”, de Carlos Coelho da Silva, com Sandra Barata Belo no papel da diva do fado. Mais do que uma biografia linear, o realizador optou por uma sequência de acções em flashback, como um rememoriar de toda uma vida por parte de Amália Rodrigues, angustiada num quarto de hotel em Nova Iorque, sofrendo com a notícia da descoberta de um tumor.

A sombra da morte paira pelo filme, desde fatalidades familiares a amorosas, num desenrolar de factos que impediram a felicidade de uma mulher do povo, que amou o povo, que nunca se sentiu na sua pele em meios sofisticados e que pareceu toda a vida ter buscado o que nunca encontrou.

Vendo o filme é fácil de perceber porque é que a “crítica especializada” o arrasou: a película começa com o famoso concerto no Coliseu de Lisboa, menos de dois meses após o 25 de Abril. Alguns (poucos) espectadores chamam “fascista” a Amália; outro grita “já não tens cá o Salazar”; a cantora deixa a voz e a alma correrem e conquista o público. Há também uma sequência em que Amália está uns instantes à conversa com Salazar, sem que a realização mostre este último de uma forma antipática. Sacrilégio anti-democrático! E, para cúmulo, mostra-se uma cena em que Amália, à conversa com os seus amigos Ary dos Santos e Natália Correia, anuncia ter escrito uns versos para o Presidente do Conselho; os dois democratíssimos amigos abandonam indignados a sua casa, não sem que o poeta grite: »Versos? O que Salazar merece são balas!»

Apenas na pungente cena em que Amália consegue, com os seus bons ofícios, fazer libertar das garras da PIDE o seu amigo e compositor Alain Oulman, o regime é mostrado a uma luz menos favorável, embora de forma não ostensiva. E, tirando as cenas do concerto no Coliseu e do quarto nova-iorquino, nada é mostrado do pós-25 de Abril. O que, de resto, acaba por não dar a dimensão do ostracismo a que Amália foi votada nos anos subsequentes ao golpe de estado.

Mas, mais do que o aspecto político, o que o filme realça – e bem – são os dramas interiores de Amália, a relação conturbada com a mãe, a amizade com as irmãs, o seu casamento frustrado com Francisco Cruz e as relações com Eduaro Ricciardi, Ricardo Espírito Santo e com o futuro marido César. E, claro, a sua incomparável dimensão de artista, a sua voz única e a forma extraordinária como dava vida e alma às canções que interpretava.

Pode-se dizer, à guisa de conclusão, que “Amália” é um filme bem português, sobre uma personalidade portuguesíssima. Feito com firmeza na realização e emoção à flor da pele. E, como tal, merece bem ser visto.

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O fim de um mundo

Posted by atrida em Sexta-feira, Novembro 14, 2008

“When the legend becomes a fact, print the legend”

(In “The Man who shot Liberty Vallance”, de John Ford)

Confrontado com a aura que a mídia dele criou, Ransom Stoddard vê-se impotente para derrubar o mito, a mentira que tantas vezes repetida se tornou “verdade”. Mesmo quando conta a verdade a um jornalista, este prefere rasgar as notas que tomou a confrontar todo um país com a realidade.

Tom Doniphon representa o passado, o homem que perde tudo (noiva, casa, modo de vida, esperanças) e se arruína no álcool. As certezas de antanho já não servem no presente, o mundo mudou e quem não se habituou à mudança definha no desespero.

Stoddard representa o suposto primado da lei num mundo outrora sem lei, onde só a força mandava, mas a sua aura de grande homem foi construída com base num mito que se tornou verdade. Ironia das ironias posta no écran por John Ford, um homem profundamente conservador, humano, um poeta de um mundo idílico e harmonioso, familiar, patriótico, devoto. Um homem cada vez mais amargurado com o rumo de um mundo a caminhar irreversivelmente para uma voragem materialista que arrasou o velho mundo dos valores que tanto prezava.

Poucos como Ford souberam colocar em imagens a angústia do desmoronamento de um mundo. O patriota John Ford sentiria que a vitória dos EUA na II Guerra precipitou essa queda? Que o triunfo do materialismo capitalista-marxista esmagou a réstea de valores tradicionais que ainda havia no seu próprio país? No seu último filme, a obra-prima “Sete Mulheres”, Ford leva-nos à China para mais uma reflexão sobre a barbárie, a incompreensão e a abnegação. Como deveria sofrer nos seus últimos tempos de vida aquele que exaltara as grandes vitórias do seu país, a marcha para oeste, a construção de um país e agora nos trazia aos olhos imagens de desespero, ganância, selvajaria. Antes, em diversas obras, já havia relativizado o retrato dos índios e, em “Sergeant Rutledge”, elevado a dignidade do negro americano, não com o apelo a quotas, não com chantagens torpes, mas sim com a exaltação da coragem e da honestidade, que são o primado dos homens verdadeiros e íntegros. À sua maneira ia abalando o mito do Velho Oeste. À sua maneira o mundo mudou e tragou os idealistas.

Como  era verde, o meu vale!

(Para o João.)

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Tropa de Elite

Posted by atrida em Sexta-feira, Setembro 5, 2008

Consegui finalmente ver “Tropa de Elite”, o polémico (já lá vamos) filme brasileiro, vencedor surpresa do Festival de Cinema de Berlim.

Trata-se de um filme que não agrada à ideologia politicamente correcta que se vai impondo um pouco por toda a parte – e o Brasil não é excepção, ao mostrar que o combate ao narcotráfico não se compadece com paninhos quentes, exigindo-se acção dura e determinada, e ao mostrar a complacência da esquerda face aos traficantes de droga, retratando uma ONG instalada numa favela que goza dos favores do submundo local. Aliás, o filme critica ferozmente a postura hipócrita dos jovens burgueses de esquerda, sempre prontos a criticar uma acção da polícia, condescendendo ao invés com as barbaridades cometidos pela criminalidade.

Mas “Tropa de Elite” não deixa sem crítica (por vezes feroz, noutras situações de forma humorística) a corrupção que domina boa parte da polícia do Rio de Janeiro; o BOPE (Batalhão de Operações Especiais) aparece, assim, como um reduto impoluto e determinado no combate ao crime organizado. E mostra-o brilhantemente na parte do filme que descreve o treino físico e psicológico que é necessário cumprir para se ser aceite no batalhão. A maior parte desiste, ficam os melhores e os mais capazes; os que não conseguem são brutalmente impelidos a abandonar a tropa: «você é um merdas, o seu lugar não é aqui, é em casa de prostituta, é em clínica de aborto» – uma tirada que porá os cabelos em pé à esquerda!

Embora não escasseiem as cenas de violência, esta nunca aparece de forma gratuita mas sim porque é necessária à compreensão do universo retratado. Há igualmente cenas mais intimistas, sendo bem explorados – sem pieguices nem lugares comuns – os dilemas pessoais do personagem principal, o capitão Nascimento.

Escusado dizer, tratando-se de um filme brasileiro, que todos os actores são excelentes, com destaque para Wagner Moura, na pele de Nascimento. “Tropa de Elite” é um dos melhores filmes exibidos em cinema em 2008 e perdê-lo seria imperdoável: a quem gosta de cinema e a quem se recusa a ser domado pela insidiosa visão do mundo que a imbecillentsia nos quer impor.

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“O meu irmão é filho único”

Posted by atrida em Terça-feira, Julho 22, 2008

Vi ontem o filme italiano “O meu irmão é filho único”. Trata-se de uma obra muito interessante, cuja acção se desenrola nos turbulentos anos 60. Dois irmãos, Manrico (um nome cuja conotação verdiana não será ocasional, até pela forte ligação que tem à mãe, evocadora de Il Trovatore) e Assio, um comunista e o outro fascista (este, militante do MSI), digladiam-se amiúde, inicialmente por motivos familiares, depois por motivos políticos e finalmente por motivos amorosos (ambos gostam da mesma mulher, também militante comunista). Vivem na cidade de Latina, burgo fundado pelo fascismo em 1932 com o nome Littoria (adoptou o nome actual em 1946).

Há alguma tendência para a caricatura das duas posições políticas, nomeadamente, como era de esperar, a fascista: os militantes missinos aparecem como não especialmente evoluídos, com uma forte tendência para a pancadaria e os desacatos contra os comunistas; Mario, o vendedor de atoalhados que inicia Assio nas virtudes do regime mussoliniano (“deves fidelidade aos amigos, fidelidade à Pátria e fidelidade à Ideia”; “Il Duce tirou aos ricos para dar aos pobres, alguma vez alguém fez isso?”), expressa o seu fervor ideológico por meio de fórmulas curtas, não elaborando o discurso. Não falta, no filme, a peregrinação a Predappio, local onde nasceu o Duce

Mas os comunistas também não são especialmente favorecidos, de que o exemplo (de um cómico impagável) é o coral do último andamento da Nona de Beethoven (em execução para as massas, pois “a arte individual é simples masturbação”, grita Manrico), em que a Ode à Alegria de Schiller é “desfascistizada” (sic!), substituindo-se-lhe uma ode aos grandes líderes comunistas, de Mao a Estaline!

Fidelidade não é o forte de Assio, que rompe com o fascismo de uma forma violenta. A sua preocupação de infância, “aiutare i ultimi” (auxiliar os mais desfavorecidos), não lograda via fascismo nem via comunismo, tem a sua consecução num acto apolítico mas extremamente eficaz em termos sociais. Uma conclusão que não agradará aos ortodoxos de ambos os campos mas que o filme caracteriza com mestria e alguma poesia contida.

Não sendo uma obra-prima, “O meu irmão é filho único” é uma película a não perder, pelo retrato de uma época conturbada, pelos dilemas de uma juventude, pelos dramas sociais não resolvidos pelo boom industrial italiano do dopoguerra, por momentos de humor irresistíveis, pela interpretação soberba dos actores e por jorrar italianidade por todos os poros.

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Centenário do nascimento de António Lopes Ribeiro

Posted by atrida em Quarta-feira, Abril 16, 2008

O amigo Nonas já evocou o centenário desse grande senhor do cinema português que foi António Lopes Ribeiro, incluindo no seu postal diversas ligações a textos sobre o Mestre. Recomendo a leitura dos mesmos, para um enquadramento histórico da sua figura. Não vou aqui repetir o que podem ler nesses textos, aproveitando antes para falar de alguns aspectos relativos ao autor não evocados nos referidos artigos.

António Lopes Ribeiro é hoje depreciativamente intitulado “cineasta do regime” dada a sua adesão (que não terminou em 1974 – os grandes homens não mudam de ideias ao sabor dos ventos do tempo) ao ideal do Estado Novo. O que poucos relatam é o seu papel na divulgação do cinema… soviético! Foi devido ao seu empenho que se projectou em Portugal, já depois da Revolução de Maio, “Linha Geral”, do cineasta oficial do regime soviético Sergej Eisenstein (claro que ninguém chama isso ao mestre soviético, socorrendo-se se necessário, e como contraditório, da segunda parte de “Ivan, O Terrível”, que irritou sobremaneira o tirano georgiano). O filme, aliás, é para o fracote, apesar de alguns momentos humorísticos.

“A Revolução de Maio” é o filme de que os democratas gostam de falar para que não haja dúvidas sobre a pressão iedológica ditatorial exercida sobre o Portugal dos anos trinta. Mas a película é tão boa que muitos cinéfilos nada simpatizantes do regime salazarista realçam os seus méritos cinematográficos. (Que também os há no notável “A Força da Vontade” de Leni Riefenstahl, em “O Couraçado Potemkine” do referido Eisenstein ou em… “Foreign Correspondent” de Alfred Hitchcock – um filme de propaganda de 1940 elogiado pelo insuspeito Dr. Goebbels.)

Há dois documentários de Lopes Ribeiro que não quero deixar de mencionar. Um, “Inauguração do Estádio Nacional”, de 1944, além de notável reportagem sobre o evento em si, constitui um momento de exaltação nacionalista verdadeiramente empolgante: os jovens da Mocidade descendo as bancadas com as suas bandeiras a adejar ou os graciosos movimentos das moças no relvado ficam na retina do espectador. (O documentário está incluído como complemento no DVD de “A Menina da Rádio”.)

Outro, “Lisboa de Hoje e de Amanhã”, de 1948, é um documento notável sobre a renovação urbanística que a capital estava a sofrer na época da sua realização, mostrando o rigoroso planeamento dos projectos, a sua inserção no espaço físico e a preocupação na construção de bairros populares que fizessem os seus habitantes sentirem alguma proximidade com os campos de onde muitos eram oriundos, com casas com um quintalzinho e apenas um andar. Qualquer comparação com o “urbanismo” de hoje seria supérfluo exercício. (O documentário está incluído como complemento no DVD de “A Vizinha do Lado”.)

E, já que falamos em “A Vizinha do Lado”, porque não evocar esta comédia quase esquecida, ofuscada pelo sucesso de “O Pai Tirano”. Não sendo aquela obra do mesmo quilate que esta última, nem por isso deixa de ser um filme muito bem feito e divertido, com momentos impagáveis, como este diálogo:

Plácido: «Ai, Adelaide, eu nessa noite perdi a cabeça.»

Adelaide: «Se fosse só isso que eu perdi…»

Depois, a presença de António Vilar, António Silva e do irmão do realizador, Francisco Ribeiro (Ribeirinho) é perfeitamente notável. A peça de André Brun, cuja acção se passa em algumas horas apenas na Lisboa dos primórdios da República, é transposta para a película com mestria e a fotografia é belíssima. A (re)descobrir! 

António Lopes Ribeiro era uma pessoa muito afável, com um olhar meigo e bondoso. Recordo entrevistas que deu para a televisão, nos anos 80, onde evocava com um brilho no olhar tempos passados, trucidados pela voragem do tempo e pela mesquinhez de tantos que juraram perder o País.

Vi-o uma vez, na Calçada da Estrela, em Lisboa, onde habitava. O mesmo olhar de homem bom, acompanhado de discreto sorriso, penetrou-me na alma – e não me saíu da mente desde então.

Que esteja descansando em paz este grande português.

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