Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

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Posts Tagged ‘comunismo’

Música para hoje

Posted by atrida em Sábado, Novembro 7, 2009

berlinwallSCORPIONS – Wind of Change

PINK FLOYD – A Great Day for Freedom

(clicar para ouvir)

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Gulags? Que é isso?

Posted by atrida em Sexta-feira, Outubro 23, 2009

O Miguel Vaz e a Cristina toparam esta entrevista dada por uma novel deputada do PC, Rita Rato de seu singelo nome. O entrevistador, com paciência, vai tentando encontrar algum discernimento (ou ponta de honestidade) na criatura:

– Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?

– Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

– Mas foi bem documentado…

– Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

– Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?

– Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa…

Ora, ou a menina é de uma ignorância inaudita (o que não é de excluir), ou de um despudor a que não se pode chamar inaudito porque, como dizia um conhecido meu, um comunista só pode ser uma de duas coisas: ou um grande hipócrita – ou um grande ingénuo. A menina Rato nunca leu nada sobre a “experiência” (campos de concentração onde morreram milhares e milhares de prisioneiros são “uma experiência”) mas sabe, aos 26 anos, que a seguir ao desmoronamento da URSS (quando a moça tinha uns dez anitos) “o partido fez (sic) um congresso extraordinário”.

É verdade que teve bom mestre, afinal não foi o Dr. Barreirinhas Cunhal que, em plena perestroika, confessou que ignorava que tivessem existido gulags?

E, recuando ainda mais no tempo, tivemos o mestre supremo, Lénine, que terá dito que “a mentira é a principal arma do combate bolchevique”.

Fez história.

E fica o registo de uma deputada de 26 anos que, entre conhecer o lado negro (milhões de mortos, países que funcionavam como um gigantesco campo de concentração onde qualquer dissidência era tratada policialmente) da ideologia que defende e “tanta outra coisa”, hesita… Uma patarata com assento parlamentar, é o que é.

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60 anos de barbárie

Posted by atrida em Quinta-feira, Outubro 1, 2009

culrevCavaco já enviou os parabéns a Hu Jintao. Os jornais, em geral, falam da segurança apertada em torno das comemorações dos 60 anos da implantação do comunismo na China. Os maoístas chamam-lhe “libertação”. Por cá houve muitos, sobretudo em 74-75, quando a Grande Revolução Cultural Proletária entusiasmou jovens burgueses ocidentais, com epicentro na França (sempre o centro das aberrações ideológicas) e réplicas em Portugal. O filme “A Chinesa”, de Godard, alimentou os sonhos de instaurar um regime maoísta na Europa. Em prol do “homem novo”, muitos desejaram que por cá houvesse purgas monstras, humilhação pública de reaccionários, destruição do património cultural, demolição de igrejas – e assassinatos em barda.

Até Luis Buñuel, que não sendo comunista nutria alguma benevolência pela ideologia mais assassina da história, notava: «em Paris (em Maio de 68) os estudantes miavam (sic) “Mao, Mao”, como se realmente pretendessem a implantação de um regime maoísta em França».

Por cá faziam furor os filmes chineses (todos produzidos sob o rigoroso controlo da sra. Mao). Algumas das sessões acabavam em cenas de pancadaria. Ninguém queria ser menos comunista que o vizinho!

Tudo isto seria cómico se não fosse trágico. O aggiornamento de tantos entusiastas da época não se traduziu em muitos casos em arrependimento sincero. É vê-los por aí, com tiques na linguagem, com atitudes eivadas de mal disfarçado espírito totalitário. E, sobretudo, todos com sentimentos internacionalistas, sendo a União Europeia o substituto (imperfeito?) para as suas frustrações pós-Mao e pós – queda do Muro de Berlim.

cultural_revolution_buddha_burning

Sobre os crimes do comunismo, e do maoísmo em particular, nem um pio. Nada de trabalhos forçados. Nada de execuções sumárias. Nada de experimentações sociais e económicas (que geraram amiúde fomes e morte por inanição a milhões de pessoas). Nada de Tibete (afinal, uma região – já não um país –  pejada de monges retrógados). Nada de produtivismo, que subjuga por inteiro o homem – feito escravo – aos objectivos de crescimento económico definidos pelos “sábios” do comité central. Nada da urbanização desenfreada, com todos os problemas de desenraízamento, miséria, poluição. (Honra ao “i”, que sem meias tintas fala de Mao como “o assassino”.)

Nixon (a primeira abertura) e Bush pai (concessão do estatuto de “nação mais favorecida” no âmbito do comércio externo dos EUA) deram à China comunista o impulso para um crescimento baseado na exploração do homem, em gritante contraste com o hipócrita lema do comunismo: eliminar a dita exploração!

A China cresceu, tornou-se respeitada e temida. Continua um regime repressivo. O Ocidente cresce cada vez menos e torna-se cada vez mais repressivo. Ultrapassado no crescimento, o Ocidente vai a caminho de se aproximar cada vez mais da China no que às liberdades (à falta delas) diz respeito.

E ainda dizem que o comunismo morreu em 1989.

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O canalha

Posted by atrida em Quinta-feira, Agosto 13, 2009

el canallaOra aí está uma obra que bem merecia uma tradução para português.

(Via Euro-Ultramarino.)

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A besta

Posted by atrida em Domingo, Novembro 30, 2008

fossiles1Jean-Marie Le Pen dizia há uns anos que o comunismo era um monstro adormecido ainda capaz de matar. Como não recordar estas palavras perante a euforia de tantos amigos do regime mais mortífero da história da humanidade perante (mais) uma crise do capitalismo? De repente, é vê-los abandonarem os pruridos de linguagem que, a contra-gosto, tiveram que adoptar desde a queda do Muro de Berlim e darem livre curso às suas máximas marxistas, ao calão que enrolou muitos ingénuos, matou muitos milhões e é ainda capaz de fazer estragos por esse mundo fora.

Entretanto, nos anos da “bola baixa”, as formiguinhas vermelhas foram continuando o seu trabalho de sapa, foram forma(ta)ndo as novas gerações no ódio ao capital e no branqueamento de alguns crimes comunistas (todos seria difícil), aproveitando para endeusar figuras como a máquina de matar Che Guevara ou o fraco Allende, típica figura do socialista refém dos comunistas, um Largo Caballero chileno. De tal forma que, perante os desmandos do neo-liberalismo,as falcatruas dos possidentes e a corrupção endémica das democracias, os comunistas tentem mostrar a face “humana” (!) do marxismo, a preocupação com os pobres e os explorados, enfim, uma alternativa válida perante as “contradições insanáveis” do capitalismo.

Eles andam aí, de cabeça levantada. E à cata dos idiotas úteis de todos os quadrantes – que nunca faltam.

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“O meu irmão é filho único”

Posted by atrida em Terça-feira, Julho 22, 2008

Vi ontem o filme italiano “O meu irmão é filho único”. Trata-se de uma obra muito interessante, cuja acção se desenrola nos turbulentos anos 60. Dois irmãos, Manrico (um nome cuja conotação verdiana não será ocasional, até pela forte ligação que tem à mãe, evocadora de Il Trovatore) e Assio, um comunista e o outro fascista (este, militante do MSI), digladiam-se amiúde, inicialmente por motivos familiares, depois por motivos políticos e finalmente por motivos amorosos (ambos gostam da mesma mulher, também militante comunista). Vivem na cidade de Latina, burgo fundado pelo fascismo em 1932 com o nome Littoria (adoptou o nome actual em 1946).

Há alguma tendência para a caricatura das duas posições políticas, nomeadamente, como era de esperar, a fascista: os militantes missinos aparecem como não especialmente evoluídos, com uma forte tendência para a pancadaria e os desacatos contra os comunistas; Mario, o vendedor de atoalhados que inicia Assio nas virtudes do regime mussoliniano (“deves fidelidade aos amigos, fidelidade à Pátria e fidelidade à Ideia”; “Il Duce tirou aos ricos para dar aos pobres, alguma vez alguém fez isso?”), expressa o seu fervor ideológico por meio de fórmulas curtas, não elaborando o discurso. Não falta, no filme, a peregrinação a Predappio, local onde nasceu o Duce

Mas os comunistas também não são especialmente favorecidos, de que o exemplo (de um cómico impagável) é o coral do último andamento da Nona de Beethoven (em execução para as massas, pois “a arte individual é simples masturbação”, grita Manrico), em que a Ode à Alegria de Schiller é “desfascistizada” (sic!), substituindo-se-lhe uma ode aos grandes líderes comunistas, de Mao a Estaline!

Fidelidade não é o forte de Assio, que rompe com o fascismo de uma forma violenta. A sua preocupação de infância, “aiutare i ultimi” (auxiliar os mais desfavorecidos), não lograda via fascismo nem via comunismo, tem a sua consecução num acto apolítico mas extremamente eficaz em termos sociais. Uma conclusão que não agradará aos ortodoxos de ambos os campos mas que o filme caracteriza com mestria e alguma poesia contida.

Não sendo uma obra-prima, “O meu irmão é filho único” é uma película a não perder, pelo retrato de uma época conturbada, pelos dilemas de uma juventude, pelos dramas sociais não resolvidos pelo boom industrial italiano do dopoguerra, por momentos de humor irresistíveis, pela interpretação soberba dos actores e por jorrar italianidade por todos os poros.

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