Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

Posts Tagged ‘democracia’

Vote-se, então

Posted by atrida em Domingo, Junho 7, 2009

Não gosto muito de votar mas, enfim, desta feita lá fui.

Sempre apreciei a postura do Humberto, a sua frontalidade e a forma directa como expressa as inquietações dos portugueses que não abdicam de o ser, verdadeiramente.

Sempre tive reservas em relação ao PNR, à forma como – pelo menos vendo de fora – o partido se tornou um albergue de tendências inconciliáveis, algumas delas para mim inaceitáveis. Já nem falo do registo criminal de alguns rapazes que por lá andam.

Mas também admiro a coragem dos dirigentes e militantes que enfrentam a hipócrita polícia política coeva. A hipócrita democracia cuja verdadeira (única?) causa é a destruição de Portugal.

Nesse sentido, mal ou bem, algumas vezes mal outra bem, o PNR tem sido a única força política a denunciar esta trágica realidade. E o Humberto, sem sobra de dúvida, a sua melhor e mais convincente voz.

O voto pouco significará. Mesmo em países em que as forças nacionalistas cresceram para o campo dos dois dígitos o sistema sempre arranjou forma de as neutralizar e de reforçar as medidas de liquidação pátria, como frisei há três meses.

Mas, como também refere o nosso amigo Manuel, «por vezes o voto tem um significado testemunhal, que ultrapassa a mera contabilidade. Pode ser um manifesto vivo.»

Assim seja.

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A liberdade de expressão segundo a esquerda

Posted by atrida em Sexta-feira, Março 27, 2009

A propósito da recente intervenção de Jean-Marie Le Pen no parlamento europeu, recebida mui democraticamente com urros e grunhidos por parte dos zeladores da liberdade expressão restringida aos “credos comummente aceites” (usando as palavras de um luso blogador em dia de rara inspiração), recomendo a leitura de O Insurgente e do Super Flumina.

E, já agora, a releitura deste meu recente postal.

(Não esquecer que a direitinha, ou seja, a direita que agrada à esquerda e que lhe faz os fretes, tomou uma posição igualmente hipócrita e reveladora do seu carácter.)

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Votar?

Posted by atrida em Segunda-feira, Março 16, 2009

Quem me conhece sabe que não sou pessoa de democracias. A democracia é, a meu ver, o regime em que o povo é mais logrado: na ilusão do seu suposto poder (que mais não é do que, de quatro em quatro anos, depositar um papelinho votando numa lista de candidatos pré-fabricada) é despojado do mesmo, da sua capacidade de ser bem governado, sendo antes dirigido por quem se governa bem.

Já mestre Maurras demonstrara que a democracia é a casa da corrupção, do controlo do Estado por grupos de interesses que são estranhos ao bem estar da população e antagonizam a sua história e os seus valores tradicionais em benefício do seu bem estar muito particular e de agendas obscuras. Distribuindo-se pelos partidos com hipóteses de chegar ao governo, verdadeira máfia que é, a clique democrata manieta as nações, subjugando os povos com um grau de controlo inominável, tornando impossível a vida fora do “guarda-chuva” da todo-poderosa legislação democrática.

Pelo que precede se compreenderá porque é que raramente voto: não só isso representa dar uma caução a um regime abominável, como é a expressão da impotência em lutar contra o mesmo. Há quem pense que esta luta se pode fazer dentro do sistema. Duvido – e os factos dão-me razão (basta lembrar a mão cheia de nada que alcançou o FN em França ao longo de trinta anos de excelentes votações ou a impossibilidade de manutenção do FPÖ no governo de coligação austríaco ostracizado pela democratíssima UE – União Escravizadora). Isto não obsta a que se possa entender o voto como uma manifestação de indignação, de desprezo, de protesto.

Esta arenga vem a propósito da candidatura de Humberto Nuno Oliveira ao parlamento europeu. Anti-europeísta que sou, nunca me dei ao trabalho de votar – nem mesmo nulo – nas eleições ditas europeias. Votar para eleger indivíduos que durante quatro anos vão abichar uns milhares e ajudar a consolidar este estado totalitário que é a soviética UE não faz o meu género. No entanto, há que louvar o esforço de HNO em fazer passar uma mensagem que diz o essencial sobre esta bárbara Europa que nos impuseram: combatendo o federalismo, o esvaziar das liberdades nacionais, a imersão na globalização asfixiante e a imigração desregrada e metodicamente escolhida para destruir os povos europeus e as suas tradições que ainda resistem – HNO faz muito pelo seu país, empunhando a bandeira dos bons valores, dos valores sãos da dignidade nacional e da liberdade pátria contra o rolo compressor mundialista.

Nunca o fiz em quatro anos e meio de blogue e assim continuarei: não apelo ao voto em nenhum partido ou projecto porque tenho legítimas dúvidas sobre a sua eficácia e porque isso vai contra as minhas profundas convicções; mas não quis deixar de partilhar convosco um testemunho de respeito e gratidão para com a corajosa campanha que HNO está a levar a cabo.

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Sem vergonha

Posted by atrida em Sexta-feira, Julho 18, 2008

Neste Portugal pequenino e dos pequeninos que nos desgovernam há muito que se perdeu a vergonha. Corrupção e crimes, desde que praticados por quem detém as rédeas do poder ou alimenta quem as tem, são sempre ilibados. Ao mesmo tempo, o Estado trata os cidadãos (ver postal anterior) como potencialmente culpados, até que se prove o contrário.

Extorquir os incautos é palavra de ordem, amealhar à custa deles e das tropelias – uma prática que já mal se dá ao trabalho de se ocultar.

Para contrapor este desgoverno a que a população assiste bovinamente servem-se doses maciças de anti-fascismo, de pura e completa manipulação da história recente, para que todos se convençam de que as coisas hoje vão muito melhor que nos tempos da “longa noite”.

E os ignaros, convencidos e, afinal, resignados a aturar “algo que é menos mau”, sempre se vão contentando com os ecrãs de plasma, a ida ao shopping, o telemóvel de última geração e os dramas das quatro linhas.

A democracia arrasou qualquer princípio de dignidade a este país e rebaixou-nos a uma posição aviltante. Mas certamente condescenderá em atribuir-nos pena suspensa…

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O cidadão

Posted by atrida em Quinta-feira, Julho 17, 2008

Talvez por (insensatamente) achar que Portugal tem salvação, nunca me refiro com desdém a “este país”, mencionando antes “este regime”. Mas também reconheço que isso é redutor, pois se um regime hediondo se vai mantendo deve-o seja à estupidez, seja ao conformismo, seja à desonestidade dos que habitam o país.

A revolução francesa criou o “cidadão”, figura abstracta plena de direitos teóricos e vítima da ditadura prática da democracia, que ostraciza todos os que a ela se opõem. Vítima também do desenraízamento, limpo que foi o seu passado histórico e reescrita a gesta dos seus antepassados, de modo a legitimar mais facilmente a república dos cidadãos.

Ao fim de gerações, os cidadãos estão inoculados mentalmente com o vírus da verdade oficial, apatetados pela lavagem cerebral permanente a que são sujeitos. E, em consequência, completamente incapazes de reagir a um regime hediondo – precisamente por que não o vêem como tal. Tal como Winston Smith, amam o Grande Irmão, “reconhecem” que a democracia é o menos mau dos regimes e seguem com a sua vidinha.

O cidadão é o escravo perfeito.

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