Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

  • Artigos Recentes

  • Arquivos

  • Comentários Recentes

    hdocoutto em Para acabar de vez com o mito…
    Fernandes em Para acabar de vez com o mito…
    Rui tojal em Para acabar de vez com o mito…
    afmsjksua@gmail.com em Dostoievski sobre os jude…
    Aalborgsteamcarwash.… em “Imigrante ambiental…
  • Blog Stats

    • 80.335 hits

Posts Tagged ‘FNAC’

Anti-FNAC

Posted by atrida em Terça-feira, Outubro 14, 2008

E lá abriu mais uma loja FNAC em Lisboa, desta vez no Centro Comercial Vasco da Gama. Mais uma réplica do supermercado cultural que é a empresa do Grupo Pinault, fundada por trotskistas (um deles antigo guarda-costas do ídolo do Chico Louçã) e hoje lídima representante do capital apátrida!

Lá se podem ver os livros do costume, a “Anne Frank contada às crianças”, o 25 de Abril em banda desenhada, os álbuns de homenagem ao Che-rial killer e n outros exemplos do esquerdismo plasmado em cultura para as massas. Um produto sofisticado, sucedâneo pós-moderno das épicas sessões de dinamização cultural do PREC.

Símbolo já não da aliança operária-camponesa mas da esquerda com o capital, é vasta a oferta de televisões e sistemas de som topo de gama, DVDs com as maiores piroseiras de Hollywood e o último sucesso da erva daninha ribatejana. Apesar da origem francesa e da oferta razoável de livros gauleses, escusa-se de lá se procurar obras de Maurras ou Drieu, que não se encontram; em contrapartida, não faltam títulos de autores menoríssimos mas que navegam na onda dos tempos.

Claro que também lá encontramos alguns quartetos de cordas de Brahms ou Bartok ou farta oferta do catálogo ECM. Mas isso não faltava – pelo contrário – nas duas Discoteca Roma que havia na capital, na Virgin Megastore ou nas várias  Valentim de Carvalho que encerraram. Pois é: os frogs chegaram a Portugal há uma década com um novo “conceito” (palavra que qualquer pós-moderno deve ter sempre na ponta da língua) de loja cultural. A concorrência era de peso – as lojas já citadas – e até os estudos de mercado encomendados pela FNAC desaconselhavam o investimento em Portugal.

Assim, toca de entrar a matar: promoções em barda, todo o catálogo Led Zeppelin a 1.400$00 (7€), livros 10% mais baratos e outros descontos apelativos. A concorrência abalou: a Virgin encerrou a sua magnífica loja no antigo Cinema Eden, as Roma estouraram e as Valentim seguiram-lhes o rumo. Chega entretanto o Corte Inglés, que, como armazém onde se vende um pouco de tudo, não constitui verdadeira ameaça para a FNAC.

Escorraçados os incómodos concorrentes eis que de golpe rareiam as promoções, acaba-se o pomposo “preço mínimo garantido” e se expõe sem pudor preços escandalosos, autênticos assaltos à mão armada. Mas agora já não há grande alternativa, a não ser a internet.

A FNAC em Portugal – e certamente em outros países – constituiu um dos mais lamentáveis exemplos de depredação da concorrência e da liberdade de escolha dos consumidores. Perdeu-se mais um pouco de pluralidade e variedade de escolha, ganhou-se uns bons milhões em contas bancárias de gente sem escrúpulos e sem vergonha.

Posted in FNAC | Com as etiquetas : | 10 Comments »