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Posts Tagged ‘imigração’

A Europa agredida

Posted by atrida em Sábado, Abril 11, 2009

Numa altura em que ganha intensidade a polémica em torno da difusão na net de um vídeo que mostra um infeliz gaulês a ser agredido por um estrangeiro aos gritos de “Francês de merda” e “filho da puta”, é também notícia o destino suspeito de donativos entregues à organização SOS-Racisme.

A França, desde os anos Mitterrand na vanguarda da imigração desregrada e na imposição de modos de vida estranhos aos seus, mostra a quem quer ver o delírio suicida da adopção de tão absurdas políticas, que vão matando a pouco e pouco o que resta da liberdade dos seus cidadãos e da sua dignidade como nação.

Por cá também não faltam os aprendizes de feiticeiro.

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Tragédias

Posted by atrida em Terça-feira, Março 31, 2009

Não faltará por aí quem, a propósito desta tragédia, evoque mais uma vez o fantasma da “Fortaleza Europa”. Apesar dos milhões de imigrantes que penetraram em tão curiosa fortaleza nas últimas três décadas, alterando (irremediavelmente?) o perfil demográfico e étnico do cada vez mais velho continente, ainda há quem pense que poderemos continuar a “acolher toda a miséria do mundo” (pegando na expressão do socialista Michel Rocard que, há quase vinte anos – vinte anos! – dava a entender que havia que pôr um freio aos incríveis fluxos migratórios – quase todos de origem extra-europeia – que assumiam o contorno de uma verdadeira invasão). É verdade, apesar desta invasão massiva, hipocritamente incentivada pelos mesmos que não páram de promover a diminuição da natalidade europeia – os mesmos que depois vêm falar da salvação da natalidade “europeia” (!) via… imigração (de preferência não europeia).

Os mesmos que tornaram a vida impossível em centenas de cidades euroepias; os mesmos que atrofiaram as mentes de gerações de europeus, que raciocinam (?) sobre esta temática como cãezinhos de Pavlov, completamente manietados pelo politicamente correcto (a maior lavagem cerebral da história); os mesmos que, em suma, odeiam a civilização e o continente que, desgraçadamente, os viu nascer e que, depostas utopias de antanho, sonham com novos amanhãs que cantam.

Estes são os verdadeiros responsáveis por esta tragédia: décadas de incentivo à imigração, décadas de conivência com os corruptos governantes africanos – que não só pouco ou nada desenvolveram o continente como ainda aniquilaram a herança tecnológica e as infra-estruturas deixadas pelas potências coloniais -, décadas a criar ilusões de um El Dorado a milhões de indigentes africanos (cuja sorte, na verdade, em nada os interessa) que arriscam a vida para deixar a miséria contra a qual nunca houve verdadeira vontade de lutar no Ocidente.

Um dia em que se faça a autópsia deste continente não será difícil identificar o processo de uma morte anunciada.

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Ofensiva sempre retomada

Posted by atrida em Quinta-feira, Outubro 2, 2008

Há pouco lá vinha a TVI com a cantilena de que a demografia “portuguesa” (sic) só poderia ser garantida pela contínua importação de imigrantes. Nada sobre políticas de promoção da natalidade, sobre o aborto livre e sobre a tendência de que os próprios imigrantes, com o tempo, adoptam os padrões de natalidade que os dos nativos europeus. Tudo se resume a encontrar argumentos – se são falsos pouco importa – para justificar a imigração contínua para o território português.

Tortuosos os caminhos tomados por quem odeia o país em que vive!

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A (quinta da) fonte dos problemas

Posted by atrida em Terça-feira, Julho 15, 2008

Após semanas de trabalho intenso, que pouco tempo livre me deixaram para blogar, aproveitei para gozar umas mini-mini-férias, longe de computadores e net, sem pegar em jornais nem ver televisão. Descansar do trabalho – e do país (ou do que resta dele).

De regresso à labuta e aos problemas, destaca-se na actualidade a guerra civil num subúrbio de Lisboa, palco de afrontamentos entre ciganos e africanos, que meteu feroz tiroteio, oportunamente captado por câmaras de televisão, que impediram que o governo e as boas consciências anti-racistas abafassem o problema.

Se bem que do caso sobressaia a questão da imigração, em particular de alguns dos seus efeitos, há outros factores a ter em conta:

– a ausência de segurança em largas áreas urbanas de Portugal;

– o crescimento ao longo de décadas de bairros a que com mais propriedade se chamaria anti-sociais, com interessante incidência em diversos concelhos que durante muito tempo foram (ou são ainda, como Almada) de maioria comunista (que pratica(ra)m a replicação dos insalubres e deprimentes blocos de apartamentos onde os dirigentes da Europa de Leste enclausuraram o desgraçado do “homem novo”);

– a consagração prática da limpeza étnica do bairro em questão, onde a facção melhor armada e preparada para o combate obteve a expulsão do inimigo;

– o contraste brutal entre, por um lado, país político e país real e, por outro, o mundo das ideologias distanciadas das realidades e a realidade da coexistência de comunidades que se detestam e são forçadas a coabitar.

E, claro, temos a questão da imigração desregrada e do amaciar do pelo dos “coitadinhos dos imigrantes que nos demandam em busca de uma vida melhor que muitas vezes é negada pelos malandros dos autóctones”, alvo de todas as compreensões e desculpabilizações, de que o expoente máximo foi a ridícula visita de Jorge Sampaio à Cova da Moura após o arrastão de Carcavelos, há dois anos. Na altura o presidente da república procurou saber (quiçá pedinchou) junto do embaixador de Cabo Verde se a sua segurança estaria assegurada. Como é que se pode esperar que “eles” nos respeitem se o principal órgão de soberania se degradou e desqualificou aos seus olhos, envergonhando o país e dando a entender que este é território ocupado: por meliantes – muitos deles imigrantes (envergonhando também os imigrantes honestos e trabalhadores) – e por pulhíticos que parecem apostados em liquidar o que resta do que em tempos foi um grande país, digno e de elevados horizontes.

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A Bélgica, entre a implosão e a invasão

Posted by atrida em Sábado, Maio 24, 2008

Não é necessário estar especialmente atento quando de passagem pela Bélgica para se perceber como o Reino vive tempos difícies.

Em primeiro lugar, as relações entre as comunidades flamenga e francófona estão extremadas, pelo menos ao nível político, e não se vê solução à vista. Uma série de propostas do lado flamengo pôs os cabelos em pé aos valões. Uma delas – a imposição de que se saiba falar flamengo para poder ter acesso à habitação social em território da Flandres – foi a gota de água, levando alguns políticos a remeter a questão para instituições europeias. O extremar de posições chegou a cúmulos inimagináveis: há quem, do lado francófono, defenda a construção de um corredor que permita aceder a Bruxelas pela Valónia, com a argumentação de que a capital «está em zona inimiga; deve-se poder acedê-la quando a Flandres for independente»! Como diz o ministro-presidente Kris Peeters, «como em Berlim e o seu corredor aéreo?».

Outra questão “societal”, como hoje se diz, é a da imigração. A Bélgica tem uma comunidade marroquina numerosa e basta circular pelas ruas de Bruxelas para o notarmos sem esforço. Desde o condutor de táxis educado e atencioso, falando bem francês e inglês, aos grupos que circulam na rua, ruidosos, passando pelos restaurantes kebab, são várias as marcas da comunidade norte-africana. Que, como é de calcular, não é toda pacífica. Duas notícias da actualidade provam-no: a alta tensão vivida no fim de semana passado entre adeptos do Anderlecht, que se acabava de sagrar vencedor da Taça da Bélgica em futebol, e um bando de marroquinos, que só graças à intervenção da polícia não destruiu um bar onde aqueles se costumam reunir. Mais trágica é a notícia que nos fala do assassinato de duas meninas belgas, sendo o suspeito (os indícios são fortíssimos) um tal Abdallah Ait Oud.

E também é notícia o aumento dos casamentos que visam apenas atribuir a nacionalidade belga a um imigrante (muitas vezes clandestino). Já belgas de gema são vários vagabundos que vegetam pelas ruas de Bruxelas, pedindo uma moedita a quem passa. A cidade, aliás, embora mantenha a sua atracção arquitectónica (toda a zona em que se insere a Grand Place é magnífica), parece desleixada, com sujidade muito pouco centro-europeia nas ruas.

Também decepciona o horário dos museus e das livrarias (encerram em geral às 18 horas, excepto às sextas-feiras), impraticável para quem por lá passa em trabalho. Ao menos a cerveja belga continua magnífica, bem como uma boa parte das representantes do belo sexo…

De regresso ao hotel, passagem pelo entrincheirado quartel-general da NATO, símbolo de uma Europa que há muito deixou de ser livre e independente, sujeita que tem sido a diversas invasões e ocupações.

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Fome?

Posted by atrida em Sexta-feira, Maio 9, 2008

A histeria que por aí anda sobre os aumentos dos preços dos alimentos tem que se lhe diga, tal como os referidos aumentos.

É impossível verificarem-se os aumentos brutais que temos testemunhado apenas pelo mecanismo de preços do mercado. O recurso crescente aos bio-combustíveis e o aumento do poder de compra de países como a China, Índia e até Brasil não pode justificar tais aumentos, sobretudo da forma abrupta com que estão a ocorrer. Existe claramente uma grande especulação, quiçá açambarcamentos em grande escala. Com que intenções? Algumas pistas:

– por pura frieza de especulador, procurando valorizar os bens que se vende;

– promoção da agricultura totalmente industrializada e química, extensão das áreas de plantação e completa mecanização da agricultura; tornar “evidente” que a agricultura tradicional e biológica não tem condições para fazer face à procura crescente de alimentos; destruição do que ainda resta do mundo rural tradicional, dos seus valores e “preconceitos”;

– interesses das grandes petrolíferas, de modo a que fique “evidente” que o mundo ainda não está preparado para reduzir a sua dependência do ouro negro;

– interesses ideológicos que levem a um maior envolvimento do  mundo ocidental nos países pobres, que pode ser por via de ajudas directas, de investimento – ou por uma maior “flexibilidade” na forma como aquele lida com a imigração: tal como se tem passado com outra histeria – a relativa ao alegado aquecimento global – também o espectro da fome cria as condições ideais para que os promotores da imigração para a Europa passem a sua mensagem e levem a sua avante.

Neste cenário, mais uma vez se conciliam os interesses do grande capital apátrida e desprovido de princípios e os da esquerda apostada em destruir o mundo ocidental, ou o que dele resta.

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Ai, Mouraria!

Posted by atrida em Sábado, Abril 5, 2008

«A Junta de Freguesia do Socorro, na Mouraria, tem cerca de 15 mil habitantes, 11 mil dos quais já são estrangeiros, revelou à Lusa o presidente da junta, Marcelino Figueiredo (PSD)».  Sinal dos tempos: numa zona degradada da cidade já só restam, de entre os “nativos”, os mais velhos, renovando-se a demografia local através da imigração ilegal, como reconhece o referido presidente da junta: «o que sei é que todos os dias tenho mais processos de legalização para tratar».

Origem dos estrangeiros? «A maior comunidade que tem chegado à freguesia é a do Bangladesh e as nacionalidades com maior expressão continuam a ser a chinesa, a indiana, a paquistanesa, e mais recentemente também, a ucraniana, macedónia e de países africanos muçulmanos.» Uma panóplia de nacionalidades, com curiosa predominância de muçulmanos. Numa zona da cidade conhecida como Mouraria, onde se acantonaram os descendentes dos mouros derrotados por D. Afonso Henriques que foram autorizados a ficar na urbe, não deixa de ser irónico este ressurgimento populacional dos devotos de Maomé. Acrescenta o sr. Marcelino: «nesta altura os católicos até já estão em minoria (…) e a comunidade muçulmana já abriu uma pequena mesquita na freguesia».

Hoje o Socorro, amanhã…?

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“Imigrante ambiental”

Posted by atrida em Quarta-feira, Março 12, 2008

Se dúvidas ainda existissem sobre um dos principais motivos por detrás da histeria quanto ao “aquecimento global”, elas foram desfeitas por um relatório de dois altos funcionários ditos europeus: Javier Solana e Benita Ferrero-Waldner. Dizem os insignes coveiros do velho continente que o aquecimento global está a gerar um novo tipo de imigrante: o “imigrante ambiental” (sic) e que a Europa se deve preparar para uma vaga destes imigrantes.

Tal como o colonialismo é suposto envergonhar os europeus e levá-los a aceitar vagas de imigrantes que fogem de uma miséria da qual nós deveremos ser os culpados, também o aquecimento global, causado pelas economias mais desenvolvidas, nos deve apiedar dos pobres migrantes vítimas dos nossos desmandos industriais. Com uma “vantagem” adicional para a Europa: num contexto de declínio populacional os imigrantes ambientais vão aumentar e rejuvenescer a sua população!

Os governantes europeus, que não estão interessados numa política de natalidade e  que, pelo contrário, promovem o aborto e a desagregação familiar, mostram a sua verdadeira face: o seu objectivo é pura e simplemente a diluição dos europeus numa massa de povos vindos um pouco de todo o mundo, desenraízados, manipuláveis, movidos apenas por interesses económicos.

Pobre Europa, que está nas mãos desta gente mesquinha e indigna.

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Nós e eles

Posted by atrida em Terça-feira, Março 11, 2008

Em comentário ao meu postal intitulado “Velhopress”, o Corcunda refere que «há por aí uma tendência (a que tu não foges, caro Atrida) a falar de um “nós” que não existe. Como se pode fazer uma frente entre gente que diz coisas opostas? Como se podem juntar pessoas de esquerda, racialistas e conservadores (tradicionalistas, monárquicos, etc.) sem que exista uma parte grande a submeter-se a coisas que são o contrário do que defendem? Por exemplo, um conservador não pode aceitar o estatismo e a redistribuição social igualitária dos TIR’s, p.ex. Um Identitário não pode aceitar que a comunidade não seja sobretudo um vínculo material, ao contrário do tradicionalista que vê a comunidade como uma forma de amizade ou amor superior à matéria. Quem prescinde destes elementos que são essenciais é porque não acredita neles o suficiente e portanto nunca foi aquilo que disse ser. Quem aceita que se propaguem todas as mensagens (mesmo as contraditórias) acredita em alguma coisa?»

Acho a questão mal formulada. Se efectivamente se quiser “fazer uma frente” não se vai pegar nas coisas opostas que dizem os seus elementos mas sim naquilo que os une. Em política não há romantismos mas táctica, não há amizades mas alianças (muitas delas pontuais). Não pretendo com isto que se abandonem os princípios que devem nortear a acção política – pelo contrário, a falta de princípios é que caracteriza quem está de bem com o sistema que nos desgoverna. Mas é perfeitamente irrealista pensar-se em mudar o estado de coisas sem o contributo de movimentos e pessoas que, mesmo tendo algumas incompatibilidades com as nossas ideias, mantêm alguns pontos em comum.

Confesso que também não tenho qualquer habilidade para esse exercício perigoso e recheado de armadilhas e incompreensões (e por isso nunca me envolvi na acção política). Mas no século passado há excelentes exemplos de pessoas de convicções que conseguiram alianças por vezes precárias mas que permitiram levar à prática boas políticas que de outro modo não sairiam das páginas de revistas doutrinárias.

Encontrar pontos comuns é um exercício curioso que serve para mostrar as potencialidades de uma comunicação (ou frente) entre “nacionais”, bem como os seus limites. Assim, eu concordo com a Causa Identitária quando esta organização fala dos perigos crescentes da imigração, em especial a extra-europeia; mas discordo do seu ideal europeu, tão vagamente romântico como perigosamente impreciso; concordo com a TIR quando denuncia os abusos laborais em certas empresas mas de modo algum concordo com a sua “via para o socialismo”. Tal como não tenho paciência para quem diz que quem não é branco não pode ser português (e vai ao ponto de “desaportuguesar” pessoas que já deixaram este mundo e que sempre foram portuguesas) também não compreendo quem ache que não há problemas em se continuar a receber em barda imigrantes dos PALOP. E tal como, sendo monárquico por convicção, me sentiria muito pouco à vontade a viver numa “monarquia democrática”, regime em que o rei é uma testemunha impotente da desagregação nacional. Igualmente pode soar-me mal ao ouvido o slogan do “orgulho branco” (se significar supremacia arrogante) mas arrepia-me ainda mais a retórica do “orgulho mestiço” com que nos matraqueiam a toda a hora, num afã despudorado de diluição da identidade (e, porque não dizê-lo, do sangue) europeu.

É por tudo isto que não vejo nenhum mal em haver uma plataforma de divulgação de iniciativas e textos oriundos das várias correntes ditas nacionais. Não só porque isso de modo algum significa que eu não “acredite em alguma coisa”, como significa que acredito que alguma coisa pode ser feita.

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De Aubervilliers à Cova da Moura

Posted by atrida em Domingo, Março 2, 2008

“Por uma vida melhor” é o título da exposição de fotografia patente no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa (*). Nela se podem ver fotografias de Gérald Bloncourt sobre a emigração portuguesa para França, nos anos 50 e 60 do século passado. O autor, haitiano expulso do seu país ao tempo do regime de Duvalier, «permaneceu sempre sensível ao sofrimento do estrangeiro num país que não é o seu», segundo se pode ler na brochura de apresentação da exposição.

Há grosso modo três espaços fotografados: os Pirenéus, por onde passaram muitos clandestinos; estações de caminho de ferro, com famílias rodeadas de malas, aguardando por um comboio ou por que chegue um familiar ou amigo que os oriente na grande metrópole parisiense; e os tristemente famosos bidonvilles, onde se amontoavam casebres precários e se apinhavam portugueses em demanda de uma vida melhor. (Um dos subúrbios onde se instalaram foi Aubervilliers, para cuja câmara municipal Pierre Laval foi sucessivamente eleito com enormes maiorias desde os anos 20 até 1944.)

O preto e branco das imagens é notável, expressando tanto a angústia de um rosto adulto ou infantil, como a ingenuidade de crianças brincando ou o sorriso terno de uma avó. Omnipresente nos bidonvilles, a lama, símbolo da forma como viviam os emigrantes, símbolo igualmente de um país que os explorava ignominiosamente (é pelo menos essa a pretensão da exposição). Muitas vezes os bidonvilles eram o local de recrutamento de mão-de-obra para a construção civil, numa Paris e arredores em crescimento acentuado de apartamentos HLM (habitation à loyer modéré, isto é, habitação social) e não só, como demonstra uma fotografia de portugueses a trabalhar na Tour Montparnasse.

Já perceberam que a exposição não tem intuitos puramente documentais e estéticos. Nela se podem ver excertos de jornais da época, sobretudo jornais de esquerda ou mesmo comunistas, com a denúncia da condição dos portugueses. Reproduz-se até um cartaz da CGT (sindicato ligado ao PCF) onde se afirma que «o desemprego não desaparece com o fim da imigração – franceses e imigrantes: o mesmo combate pelo trabalho»). Um documentário de José Vieira, a que se pode assistir numa sala à parte, é acompanhado por uma música de José Afonso…

E anuncia-se já para o dia 10 de Maio uma sessão de nome “Olhos nos olhos com a Cova da Moura”, com apresentação de documentários. A intenção destes projectos não é mais que, em primeiro lugar comover os portugueses com a saga dos seus conterrâneos emigrantes, e depois fazer o paralelo com os imigrantes africanos residentes nos subúrbios lisboetas. Transpondo a mensagem da CGT só falta afirmar :«portugueses outrora, africanos hoje, o mesmo combate pela dignidade».

Mas se há algo que a exposição mostra, e que todos conhecemos, é a imensa dignidade dos nossos conterrâneos em condições tão adversas: no meio da precaridade (como hoje se diz)  o emigrante luso oferecia o seu trabalho, dava o litro, era disciplinado e empenhado na sua tarefa. Não incendiava carros, não traficava droga, não atacava a polícia , não fazia manifestações contra a “discriminação”; integrava-se na sociedade, respeitava (e até admirava) os seus valores. Por muita ginástica que se faça há paralelos impossíveis de estabelecer.

Seja como for, trata-se de uma exposição a não perder, com testemunhos comoventes, como cartas de emigrantes para as suas famílias e até um telegrama a dar a notícia da morte de um ente querido num acidente de trabalho. Não faltam igualmente livros sobre o tema, incluindo o famoso “A Salto” (1967) de Nita Clímaco.

(*) Até 18 de Maio. Entrada gratuita.

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