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Posts Tagged ‘Mário Machado’

Liberdade em tribunal

Posted by atrida em Sexta-feira, Abril 18, 2008

«Odeio as vossas ideias mas lutaria até à morte pelo vosso direito a expressá-las.» (Voltaire)

As nossas sociedades democráticas, sempre prontas a exaltar “exemplos de tolerância” como o de Voltaire, são na verdade exímias em coarctar as liberdades de todos aqueles que se opõem aos seus princípios. É isso que está em causa no julgamento de Mário Machado e seus compagnons de route. Não me identifico com o universo de MM, nunca frequentei o Fórum Nacional e sei que o meio nacionalista está longe de ser um mundo de virtudes, o que de resto nem é de agora. Sei igualmente que o referido meio é useiro e vezeiro em cair nas mesmas esparrelas a que Lenine poderia chamar “a doença infantil do nacionalismo: o radicalismo”, que afugenta tanta boa gente que, por princípio, até estaria propensa a abraçar os ideais do movimento. É realmente aflitivo ver como os anos passam e os nacionalistas, ou pelo menos os que dão mais a cara, aceitam a caricatura que o sistema lhes põe, descredibilizando não uma facção mas todo o movimento.

Sabendo tudo isso não acredito, porém, que o julgamento se deva ao facto de fulano ter chamado “macacos” a membros de certa raça, ou que certo membro de estalo do Bloco de Esquerda tenha sido ameaçado em plena rua. Por muito reprováveis que esses actos sejam, o regime (sim, porque classe política e judicial formam um todo que, mais do que servir o país, se serve dele para impor as suas nefastas ideias – ou para se locupletar de alguns dos seus escassos recursos) está na verdade a atirar poeira para os olhos das pessoas.

Estamos a viver uma época em que a classe política impõe às operadoras de telecomunicações a manutenção do registo de chamadas telefónicas por um ano; em que um professor que chamou em privado filho da p… ao primeiro-ministro arriscou a demissão; em que a comunicação social fala a uma só voz, qual Granma descentralizado em várias redacções; em que se tornou crime defender o próprio país, o seu povo e as suas tradições; em que se impõe um modelo de vida, um pensamento (na verdade, falta dele) único; em que criancinhas na escola são incentivadas a denunciar colegas que comem chocolates, contrariando os princípios da vida saudável (da qual, pelos vistos, fará parte a bufaria); em que os técnicos oficiais de contas devem, por lei, denunciar os próprios clientes que incorram em estratégias fiscais – mesmo que legais – que impliquem menos receita para o Estado. Segundo o princípio da relação inversa de Sir Humphrey, na política actual quanto menos se procura defender algo mais se fala nisso – e a liberdade é o melhor exemplo da hipocrisia contemporânea, que procura rebaixar o homem a um ser submisso, sem raízes, complexado – um escravo, em suma.

Os que ora estão a julgamento, à sua maneira – a meu ver errada – lutam contra este estado de coisas. Ao cair na armadilha do espalhafato juvenil, da violência verbal e física, afugentam do nacionalismo as pessoas bem intencionadas, que niilisticamente aderirão à abstenção – eleitoral e de acção. E reforçam o sistema.

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