Odisseia

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Os vencidos

Posted by atrida em Segunda-feira, Julho 13, 2009

O retrato que o Bruno faz da lenta decadência e definhamento da blogosfera merece ser lido, não porque concorde com tudo o que lá vai apontado mas pela reflexão que lança.

A propósito da inesperada saída de cena do melhor blogue português, O Sexo dos Anjos, o Bruno fala de desencanto mas recorre à eterna desculpa dos intelectuais lusos, não só de agora: o “Portugalinho”. Recorre àquilo que precisamente o Manuel apela para que se não faça uso: «não adianta dizer que o público é estúpido».

Também não acho argumento totalmente válido afirmar-se que «estamos praticamente sozinhos. É assim porque insistimos em militar na oposição, a única que existe, fora dos interesses instalados do Bloco Central». Que me desculpe o Bruno, pessoa que muito estimo, mas aqui incorre numa certa auto-complacência de eterno oposicionista. Não tenho dúvidas de que ele e o Manuel, pessoas que conheço pessoalmente embora bastante imperfeitamente, e que tenho na melhor conta, não sonham em sacar algumas fatias do bolo orçamental e dos tachos como fazem as sanguessugas (Manuel Monteiro, dixit) que pululam neste desgraçado regime. Como céliniano que é, o Bruno não tem especiais ilusões sobre a natureza humana e, como tal, não deixará de admitir que, um dia chegado à assembleia ou a qualquer poiso de poder, alguns elementos do seu partido (ou de qualquer outro da área) seriam tentados (e prevaricariam, decerto) pelo abuso do poder e das vantagens ilícitas que actualmente lhe são quase intrínsecas.

É um erro – que o Manuel tem apontado ao longo dos anos – pensar-se que “nós” somos os puros, “nós” somos as pessoas de convicção e que “eles” só querem tirar vantagens pessoais pecuniárias e de poder. Não serão muitos mas em todos os partidos, mesmo os de assento parlamentar, há pessoas que não buscam mais que a prossecução do seu ideal e a quem repugna retirar proventos pelo facto de terem um cargo público. Devemos denunciar as traficâncias – que saltam à vista – mas não podemos ter a ilusão de que pode haver um grupo de pessoas, grande ou pequeno que, perante a possibilidade de exercer o poder, se comportaria impecavelmente.

O Bruno conclui a sua prosa falando no sentimento de derrota que assola tanta boa gente. Mas será que ele deriva apenas da constatação de que nada se consegue fazer para combater o deprimente estado em que a Nação mergulhou? Ou, recorrendo a Rodrigo Emílio, será que as nossas ideias não devem  mudar de gente? Não de Brunos ou Manuéis, que tanta falta lhe fazem. Mas de muitos e tantos que absorveram mal alguns conceitos, muitos deles imprecisos ou mesmo desadequados, erigiram-se em defensores do nacionalismo e da causa lusa e que, na sua imaturidade ou pura má-fé, defendem o contrário daquilo que levou Portugal a ser grande e não um cantinho onde gente supostamente da mesma origem coabita sossegadinha, alegre da vida por estar ao abrigo de perniciosas influências exteriores às suas “origens”.

Esta discussão, que no fundo é a eterna discussão da “área”, de conclusões claras para todos os campos desavindos, corrói a esperança das pessoas de bem e leva-as a declararem-se “vencidas”. Mas como deixar de defender aquilo em que se acredita para tentar conciliar, num magma impossível, princípios que chegam a ser antagónicos?

Ao longo de cinco anos de presença blogosférica peguei muitas vezes em textos do Bruno para dissertar, muitas vezes em discordância com ele, sobre temas que ele pertinentemente lançava. Que o Bruno não se deixe enganar pela minha “fixação” naquilo que ele escreve: só se discute verdadeiramente com quem se preza e o Bruno, para mim, carrega a responsabilidade de, a partir de 1 de Agosto, ficar como o melhor blogador luso em actividade.

Que nada o faça sentir-se vencido!

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Cinco anos com o Último Reduto

Posted by atrida em Terça-feira, Agosto 19, 2008

No Verão Quente de 2003 nasceram três dos blogues que mais têm feito pela difusão da ideia nacionalista em Portugal neste meio: Nova Frente, O sexo dos Anjos e, nascido há precisamente cinco anos, Último Reduto.

Descobri-os apenas em Março de 2004, aquando do passamento de Rodrigo Emílio, e logo me deliciei com a irreverência, a profundidade das ideias, a sua exposição sem intelectualismos parolos – e sobretudo a firmeza com que as defendiam. O mês de Abril desse ano foi sem dúvida dos mais ricos da blogosfera nacional, com a demolição metódica de Abril, num tom jocoso e com laivos de genialidade (consultem os arquivos desse mês, que valem bem a pena).

O Pedro, além de sofredor nacional, carrega também, como eu, a Cruz de Cristo belenense, esse amor a um clube que procura nos dias de hoje manter a chama do desporto pelo desporto, do ecletismo, do valor da formação dos atletas e dos homens, do preferir perder que ganhar com batota.

Toda uma lição de vida para quem se bate por ideais grandiosos e prefere morrer de pé que os renegar, vivendo de joelhos.

Parabéns ao Último Reduto!

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Cinco anos…

Posted by atrida em Terça-feira, Julho 29, 2008

… é muito tempo para se conseguir manter um blogue de altíssimo nível. Conseguiu lá chegar o Bruno e festejá-lo-á depois de amanhã o Azinhal. Contra a cretinocracia e a acção anti-nacional que tomaram conta deste infeliz país, muito aprendemos com estes blogueiros.

Mais do que eles, nós é que estamos de parabéns por os podermos ler, embora cada vez com menos frequência o Bruno e sem o podermos comentar o Manuel – nem tudo é perfeito.

Ainda longe de chegar aos cinco anos, o Réprobo fecha a loja, deixando a blogosfera sem as suas análises históricas ou as suas preciosas recensões de livros antigos. Daqui por uns meses ele está de volta.

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