Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

  • Artigos Recentes

  • Arquivos

  • Comentários Recentes

    hdocoutto em Para acabar de vez com o mito…
    Fernandes em Para acabar de vez com o mito…
    Rui tojal em Para acabar de vez com o mito…
    afmsjksua@gmail.com em Dostoievski sobre os jude…
    Aalborgsteamcarwash.… em “Imigrante ambiental…
  • Blog Stats

    • 80.335 hits

Posts Tagged ‘O Jansenista’

Espécies raras e menos raras

Posted by atrida em Sexta-feira, Agosto 7, 2009

20061114_sheepNão é preciso polémicas na blogosfera para sabermos que a cretinice nela campeia. Também não surpreende que certos aggiornati tenham horror a minorias, como são os adeptos do Belenenses.

Também não deve interessar ao rigoroso escrevinhador que, mesmo num ano desportivamente lamentável, o Belenenses tenha ficado em sétimo lugar em média de assistências aos jogos da I Liga (conforme dados oficiais).

Posted in Belenenses, blogosfera, O Jansenista | Com as etiquetas : , , | 1 Comment »

Direita “revisitada”

Posted by atrida em Terça-feira, Julho 14, 2009

Uma vez por outra O Jansenista volta à carga, qual panzer como o que ilustra o seu mais recente postal, que versa a direita que ele apreende dos blogues. O autor fala num reencontro com uma tendência política que sabemos abraçou em tempos (início dos anos 80?) e da qual se foi distanciando, parecendo-me que com muito rancor.

É pena que esse rancor o leve a fazer apreciações que, a meu ver, se tornam pouco objectivas, visando descredibilizar completamenbte aquilo a que poderíamos chamar o nacionalismo português actual, quiçá de forma a confortá-lo na bondade das razões que o levaram a afastar-se dessa corrente ideológica.

E é pena, porque a dita corrente bem precisa de confrontar-se com um olhar externo, dado que o meio, apesar de propenso a cisões, vive uma espécie de pacto de não agressão dentro de cada grupo, em particular dada a exiguidade respectiva e consequente conhecimento e amizade entre os seus membros. Uma análise de um observador externo, como o Jansenista, seria por isso uma forma de os nacionalistas olharem para si próprios e para a sua estratégia.

Como disse, a análise do Jansenista prima pela imprecisão e mesmo pela falta de objectividade. Alguns exemplos:

– «a cumplicidade com todo o tipo de profanações idiotas do nosso adquirido civilizacional»: isto é verdade no que se refere a certas tendências neo-pagãs, que nutrem um doentio desprezo pelo catolicismo, ignorando boçalmente o seu papel na formação de Portugal e na sua afirmação como Nação; não é de todo o caso para quem reconhece esse legado e não tem problemas com a nossa história;

– «a veneração de todos os «losers» que a nossa sociedade foi produzindo nos últimos 50 anos» – se ela existe não é pelo facto de os homenageados serem “losers” (termo que os anglo-saxões aplicam com evidente desprezo a quem a história não sorriu, independentemente do que defendiam) mas pelo exemplo que dão de persistência perante as maiores adversidades.

Em consequência, a caracterização da direita que o Jansenista faz torna-se um exercício de generalização que roça a má fé:

– «envergonhadamente racista, porque não saberia compatibilizar o racismo com o nosso passado colonial» – na verdade, hoje há uma tendência que não é envergonhadamente racista mas declaradamente racista e que despreza o nosso passado colonial, e uma tendência que não só não é racista (apesar de não compactuar com a invasão  migratória actual) como se orgulha daquele passado;

– «envergonhadamente fascista, preferindo apresentar-se como “identitária”» – na verdade, a grande maioria dos identitários (credo que não professo) abandonou qualquer referência ao fascismo e aos regimes nacionalistas do passado, abraçando uma ideologia supostamente adaptada aos tempos modernos (entenda-se aos tempos de um Europa invadida por extra-europeus), baseada em critérios etnicistas que a leva a apontar como exemplo… o estado sionista!

– «envergonhadamente anti-semita (…) [e] anti-yankee» – a tendência supra-citada é tudo o contrário (são muitos os identitários que apoiam a doutrina Bush (e israelita) de ofensiva anti-islamista); os “outros”, os nacionalistas tradicionais, não abandonaram a sua desconfiança face a Israel e ao imperialismo americano;

– «envergonhadamente tirânica» – errado: os identitários louvam amiúde a democracia (!) e os tradicionalistas nunca deixaram de a verberar, de forma alguma “envergonhadamente”.

Poderia dar-se o caso de que, por estar afastado do meio há várias décadas, o Jansenista tenha caído nestas generalizações involuntariamente; mas elas acabam por ser tão grosseiras que só podemos recomendar-lhe uma análise mais atenta do meio e das suas diversas tendências. Os nacionalistas são poucos e todos se conhecem, mal ou bem; a maledicência, a mesquinhez e a intriga – tal como em todas as correntes políticas – é doentia e omnipresente. Por isso, um olhar exterior será sempre bem vindo, desde que objectivo e sem preconceitos apriorísticos.

Para finalizar, de lamentar a frase com que termina o postal: «as ideias é que não prestam – deixaram de prestar, por mérito próprio e por força das circunstâncias». As ideias não deixam de prestar, ou são boas ou são más. Abandoná-las “por força das circunstâncias” é a pior forma de demonstrar falta de força de vontade perante as adversidades. Quando a direita que o Jansenista tanto despreza fala em “fidelidade” não o faz por ter parado no tempo: é antes a manifestação de que haja o que houver o homem íntegro lutará até ao limite das suas forças por aquilo em que acredita, mesmo que à sua volta só veja abandonos e decadência.

Posted in blogosfera, direita, O Jansenista | Com as etiquetas : , , | 5 Comments »