Odisseia

«Mas está oculto no seio dos deuses se voltará ou não, para se vingar deles na sua casa.» (Homero)

A esquerda e a democracia

Posted by atrida em Sexta-feira, Março 13, 2009

Merece algumas linhas a postura do Bloco de Esquerda perante a visita a Portugal de José Eduardo dos Santos, presidente da república de Angola, país para cuja independência vários dos membros daquele partido lutaram (nas ruas de Lisboa, entenda-se). Afirmou o BE que José Eduardo dos Santos não era bem vindo dado que Angola é uma “caricatura de democracia”. Seria curioso ver que reacção o BE teria perante a visita de Fidel Castro ao nosso país. Será Cuba um “exemplo de democracia”?

É evidente que a acrimónia do BE deriva não da defesa de valores de que eles próprios só em teoria comungam mas da repugnância que lhes causa o facto de Angola ser uma plutocracia que abraçou o capitalismo e deixou o socialismo na gaveta. Tal como o PC”P” continua a falar em “partidos democráticos” quando se refere exclusivamente à sua área política e exclui o centro e a direita, tal como o BE fecha os olhos a regimes não democráticos simpáticos a seus olhos, tal como certo ministro do PS “gosta de malhar na direita” – e um longo etc., de que a história, da Guerra Civil Espanhola ao PREC, dá bastos exemplos –  mais uma vez a esquerda dá bem a medida da sua hipocrisia, essa postura pública que está no seu ADN: sabendo que o seu ideário autêntico é partilhado por uma minoria, quer fazer passar junto das massas a ideia de que ela é que é portadora dos valores humanos, defendendo intransigentemente a democracia, os direitos dos trabalhadores, das minorias, etc.  Como as massas regra geral gostam de ser enganadas, a coisa tem resultado. E o resultado tem sido uma escravização cada vez maior dos povos, de atrofiamento das mentes, de condicionamento, de limitação das verdadeiras liberdades. O ideário da esquerda, em suma.

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4 Respostas to “A esquerda e a democracia”

  1. Creio que acertou em cheio.
    O que incomoda o Bloco de Esquerda não poderá ser o abandono da democracia (o MPLA e Eduardo dos Santos nunca foram antes mais democráticos do que agora, e o pessoal do Bloco nessa altura apoiava-os) foi sim o abandono do ideologismo socialista.
    É um fenómeno paralelo com a recente amizade dos EUA pelo Kadhafy: ninguém pode dizer que ele seja hoje melhor do que era ontem, mas agora, ainda que seja um filho da puta, passou a ser “o nosso filho da puta”.

  2. Tive que introduzir a moderação de comentários no “Sexo dos Anjos”, para me defender dos ordinários.
    Sorry.

  3. clark said

    Tem razão e não tem. A postura do Bloco é interessante, mesmo tendo em conta a sua história. Tivessem todos os outros a mesma. E atenção – eu não voto nos gajos

    Bem retornado

  4. […] já agora, a releitura deste meu recente postal. Com as tags:democracia, esquerda, Le Pen, liberdade de expressão « Clínicas de […]

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